Radovan Karadzic chega à Holanda para ser julgado

Acusado de genocídio, ex-líder servo-bósnio vai esperar o julgamento em um centro de detenção próximo a Haia

Reuters,

30 de julho de 2008 | 01h39

O ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic chegou à Holanda nesta quarta-feira, 30, para enfrentar um julgamento no Tribunal de Haia. Um comunicado do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) confirmou a chegada do ex-líder ao centro de detenção de Scheveningen. Preso desde o último dia 21, após 11 anos foragido, Karadzic é acusado de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra durante o conflito na Bósnia (1992-1995).   Veja também: Radovan Karadzic é extraditado ao Tribunal Penal da ONU Divulgado vídeo de Karadzic em festa antes de ser preso Quem é Radovan Karadzic Cronologia dos conflitos nos Bálcãs  O massacre de Srebrenica  Entenda os conflitos na região   Segundo a Agência Reuters, o avião pousou no aeroporto de Rotterdam por volta das 6h30 (hora local) desta quarta-feira. Karadzic deve ficar preso no centro de detenção de Scheveningen, próximo a Haia, onde será julgado.   Na madrugada desta quarta-feira, em Belgrado, o ex-líder servo-bósnio foi escoltado até o aeroporto por funcionários do serviço secreto sérvio. Um comboio de jipes pretos o levou da prisão até o aeroporto da capital.   O ex-líder servo-bósnio foi preso no dia 21 de julho, após 11 anos como fugitivo. Na terça, milhares de ultranacionalistas sérvios, cantando emblemas extremistas, ocuparam o centro de Belgrado para protestar contra os planos de extraditar Karadzic.   Também na terça, o Tribunal de Belgrado informou que ainda não havia recebido a apelação do advogado de Karadzic contra a extradição ao Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), em Haia, onde será julgado. Quando receberem a apelação, as autoridades sérvias terão um prazo de três dias para a decisão.   "Por enquanto, não há nada de novo a respeito dos dias anteriores" sobre a apelação, disse a porta-voz do tribunal Ivana Ramic. O objetivo do advogado de Karadzic, Svetozar Vujacic, é adiar a extradição o máximo possível, embora não seja possível impedi-la.   De acordo com os serviços secretos, há dezenas de maneiras para extraditar Karadzic da maneira discreta, como em veículos camuflados, através de saídas secretas e em viagens ao amanhecer em veículos falsos, que despistem as câmeras de televisão, que estão presentes do lado de fora da prisão, do tribunal e do aeroporto.   "Somente dez pessoas na Sérvia sabem exatamente o que acontecerá", adiantou à agência de notícias Reuters um alto funcionário do governo, que não quis se identificar. Outro indicou que não será um espetáculo público. "Acontecerá da forma mais discreta possível", acrescentou.   Não há um prazo legal previsto para esperar que se receba a apelação por envio postal, e tudo dependerá da avaliação do tribunal. Karadzic foi detido em 21 de julho nos arredores de Belgrado, onde vivia e trabalhava com identidade falsa. O ex-presidente servo-bósnio é acusado pelo TPII do genocídio e outros crimes contra a humanidade cometidos durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).   Texto atualizado às 3 horas

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