Rainha da Inglaterra oferece solidariedade e pesar à Irlanda

A rainha Elizabeth ofereceu a sua solidariedade e pesar nesta quarta-feira a todos aqueles que sofreram nos séculos de conflitos entre a Grã-Bretanha e a Irlanda em um forte e pessoal discurso para a nação irlandesa.

CARMEL CRIMMINS, REUTERS

18 de maio de 2011 | 19h44

"Para todos que sofreram como consequência do nosso problemático passado, eu dirijo os meus pensamentos sinceros e profunda solidariedade", disse a rainha em um discurso televisionado em um banquete no castelo de Dublin, que já foi o ponto principal do domínio britânico na Irlanda.

Com um vestido branco que chegava ao chão e um broche de diamantes brilhantes no ombro, a rainha surpreendeu os convidados ao falar com o presidente da Irlanda, Mary McAleese, e membros da audiência na língua irlandesa.

"Uau", exclamou McAleese e a sala explodiu em um espontâneo aplauso.

Na visita de quatro dias, a primeira de um monarca britânico desde que a Irlanda conquistou a sua independência de Londres em 1921, a rainha mostrou determinação de discutir o passado sangrento e ofereceu gestos de reconciliação.

O seu discurso foi quase uma desculpa pela brutalidade britânica. Ao dizer "ser capaz de ver o passado, mas não ficar preso a ele", a rainha foi bem recebida pelos irlandeses, muitos dos quais acreditam que o país precisa deixar para trás a problemática relação com a Grã-Bretanha.

A rainha, que teve um primo morto por nacionalistas irlandeses em 1979, também fez referência à sua própria perda em um discurso que foi assistido em várias salas pela ilha. "Estes eventos tocaram a todos nós, muitos de nós pessoalmente, e representam um legado doloroso."

Algumas horas antes, a rainha passou por uma das mais desafiadoras missões diplomáticas do seu reino de 59 anos ao pisar no estádio irlandês Croke Park, cenário de um massacre cometido por tropas inglesas.

Em um gesto que simbolizou a união atual entre os dois antigos inimigos, a rainha foi levada ao estádio por Hogan Stand, que recebeu este nome em homenagem a um jogador morto no "Domingo Sangrento" de quase um século atrás.

Ela encontrou jogadores, conversou sobre o esporte irlandês e assistiu a apresentações de músicas e danças tradicionais, apesar de o estádio estar totalmente vazio -- um reflexo do rígido plano de segurança para a visita da monarca.

"Vai acabar com alguns fantasmas, encerrar alguns debates", diz Phil Dolwer, 32, um chef trabalhando em um café próximo ao Croke Park. "É o momento certo."

O estádio Croke Park é um lugar repleto de simbolismo para os nacionalistas. Em 1920, durante a guerra pela independência da Irlanda, tropas britânicas metralharam a multidão no estádio, em represália pela morte de 14 agentes de inteligência britânicos na noite anterior.

Morreram 14 civis, um deles de apenas 10 anos, e assim nasceu a expressão "Domingo Sangrento", que se tornaria uma palavra de ordem da causa nacionalista. Alguns anos atrás, a presença da rainha e comandante das Forças Armadas britânicas em um local tão sagrado para os nacionalistas irlandeses teria causado ofensa a muitos irlandeses.

Mas um acordo de 1998 pôs fim à guerra de guerrilha dos nacionalistas irlandeses contra o domínio britânico. O pedido de desculpas formulado pelo primeiro-ministro britânico David Cameron pelo "Domingo Sangrento" da Irlanda do Norte -- quando tropas britânica mataram 13 manifestantes em 1972 -- também abriu o caminho para o discurso e a visita.

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