Rainha Elizabeth homenageia nacionalistas irlandeses

A rainha Elizabeth homenageou na terça-feira os irlandeses mortos lutando pela independência da Grã-Bretanha, em um potente gesto de reconciliação que poucas pessoas teriam acreditado ser possível, mesmo nos tempos recentes.

PADRAIC HAL, REUTERS

17 de maio de 2011 | 13h58

A rainha depositou uma coroa de flores no Jardim das Recordações de Dublin, o monumento irlandês aos heróis caídos do país, perante uma multidão de dignitários, militares e seu marido, o duque de Edimburgo, cujo tio foi morto por militantes nacionalistas irlandeses em 1979.

A visita --a primeira de um monarca britânico desde que a Irlanda conquistou sua independência de Londres, em 1921-- visa mostrar que relações calorosas entre países vizinhos tomaram o lugar de séculos de animosidade. Apesar disso, a segurança foi intensiva, depois de ter sido encontrada uma bomba caseira.

O hino nacional britânico, "God Save the Queen", foi cantado em um dos mais sagrados santuários nacionais da Irlanda, enquanto representantes de grupos paramilitares protestantes, que no passado alvejaram católicos na luta amarga pelo controle da Irlanda do Norte, assistiram em meio à multidão, cujos integrantes foram escolhidos a dedo.

A maioria dos irlandeses saudou a visita da rainha, mas, devido a receios de segurança, as ruas estavam vazias das multidões que normalmente saúdam a monarca em outros lugares.

Um acordo de 1998 pondo fim à guerra de guerrilha dos nacionalistas irlandeses contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte abriu o caminho para a visita da rainha, mas ameaças de grupos republicanos militantes que se opõem ao processo de paz ainda deixam a cidade em estado de alerta.

Na noite de segunda-feira foi encontrada uma bomba improvisada em um ônibus a caminho de Dublin. Depois de a polícia receber um aviso pelo telefone, a bomba foi desativada.

"Querem nos arrastar para os tempos sombrios", disse o vendedor Tom O'Neill, de 34 anos. "Há gente na Irlanda que precisa simplesmente superar essa história toda da Inglaterra."

A visita da rainha motivou a maior operação de segurança da história da Irlanda. Atiradores de elite tomaram posição em volta do Jardim das Recordações, e a capital foi patrulhada por cerca de 4.000 policiais e 2.000 soldados.

Cerca de 200 manifestantes atiraram tijolos, garrafas e fogos de artifício contra a polícia e foram repelidos com cassetetes e escudos. Depois de a rainha deixar o monumento, 50 deles permaneceram, gritando "fora, britânicos" e atirando pedras.

Em uma segunda manifestação promovida perto do Jardim das Recordações, manifestantes agitaram cartazes dizendo "Grã-Bretanha, Saia da Irlanda" e "Sangue Irlandês mancha mãos inglesas", gritando slogans antibritânicos.

O conflito anglo-irlandês teve início há séculos e foi marcado pela história amarga de colonização protestante britânica de um país em sua maioria católico. Mas gerações de emigração irlandesa criaram um vínculo forte entre os dois países.

(Reportagem adicional de Adrian Croft em Londres. Conor Humphries em Dublin e Ian Graham em Belfast)

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