Peter Muhly/AFP
Peter Muhly/AFP

Rainha Elizabeth II encontra familiares de vítimas do IRA

O ex-comandante do grupo paramilitar vai se encontrar com a rainha nesta quarta-feira

Reuters,

26 de junho de 2012 | 14h51

ENNISKILLEN, IRLANDA DO NORTE - A rainha Elizabeth se reuniu nesta terça-feira, 26, com parentes de pessoas mortas em um dos ataques mais notórios do Exército Republicano Irlandês (IRA, na sigla em inglês), antes de um encontro histórico com o ex-comandante do grupo paramilitar.

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O encontro com Martin McGuinness na quarta-feira, o primeiro entre a rainha e um membro sênior do IRA ou seu braço político Sinn Fein, será um marco no processo de paz 14 anos após o IRA terminar a sua campanha de 30 anos contra o domínio britânico.

A rainha, cujo primo Lord Mountbatten foi morto em um ataque do IRA em 1979, teve uma reunião privada com parentes das 11 pessoas mortas no atentado de 1987 a um funeral de guerra em Enniskillen, no início de sua visita de dois dias.

Aquele ataque provocou uma onda de revolta contra o IRA, que ajudou a convencer seus líderes a se engajar no processo de paz.

Mas os parentes disseram que a reunião da rainha com McGuinness era prematura. "Eu não acho que ela deve apertar as mãos de Martin McGuinness amanhã. Eu certamente não iria apertar a mão dele", disse Noel McIlfatrick, cuja esposa e filhos foram feridos e cujo cunhado Edward Armstrong foi morto no ataque. "Vai ser difícil para a rainha", afirmou.

O IRA terminou sua campanha em 1998, mas pequenos grupos dissidentes continuaram a lançar ataques contra alvos britânicos, provocando preocupações de segurança que impediram a rainha de anunciar publicamente sua viagens para a província antes de sua chegada.

A visita atual, parte de suas celebrações do jubileu de diamante (60 anos de reinado), foi a primeira a ser anunciada com antecedência desde que a violência começou na década de 1960. A segurança foi reforçada, com grande parte da cidade fechada ao tráfego e veículos e curiosos sendo revistados por agentes de segurança.

McGuinness, que é vice-primeiro ministro do governo compartilhado da Irlanda do Norte, deve se reunir com a rainha em um evento de artes. Funcionários se recusaram a dizer se o encontro será aberto à imprensa, ou mesmo se um aperto de mão planejado vai ser fotografado.

A rainha frequentemente se reúne com políticos que querem que a Irlanda do Norte permaneça dentro da Grã-Bretanha, mas não o Sinn Fein, o maior partido que representa os nacionalistas que querem uma Irlanda unida.

O Sinn Fein, que se tornou cada vez mais popular ao sul da fronteira da Irlanda como o principal partido que se opõe à ajuda da UE/FMI, quer um referendo para verificar se a Irlanda do Norte deve continuar a fazer parte da Grã-Bretanha, onde os seus membros ainda se recusam a assumir os seus lugares parlamentares.

O partido rejeitou convites para participar de eventos durante a visita simbólica da rainha à República da Irlanda no ano passado, a primeira de um monarca britânico desde que Dublin conquistou a independência de Londres em 1921.

Houve relativamente pouca oposição na Irlanda do Norte para o encontro previsto, a não ser um protesto de nacionalistas irlandeses de Belfast no fim de semana que atraiu cerca de 300 pessoas.

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