Rainha Elizabeth se despede da Irlanda em alto estilo

Uma grande multidão aplaudiu a rainha Elizabeth pela primeira vez em sua histórica visita à Irlanda, depois que a polícia reduziu a segurança, nesta sexta-feira, no dia final de uma missão de reaproximação considerada um sucesso.

CONOR HUM, REUTERS

20 de maio de 2011 | 14h55

Após uma chegada marcada por ameaça de bombas e um protesto de pessoas que se opõem ao domínio permanente da Irlanda do Norte pela Grã-Bretanha, a polícia relaxou a segurança para permitir que milhares de pessoas ficassem a poucos metros da monarca pela primeira vez.

A rainha respondeu com uma caminhada não programada para apertar as mãos de seus simpatizantes no centro de Cork, a segunda maior cidade da Irlanda. Mais tarde, ela embarcou no avião real, passando pela guarda de honra.

"Isso vai mostrar ao mundo que o passado é o passado", disse Pamela Hyland, de 41 anos, que trouxe seu filho de 9 anos para ver a rainha. "Levamos décadas para alcançar a paz e esta é a cereja no alto do bolo."

Organizadores deram um suspiro de alívio uma vez que a viagem de quatro dias ocorreu sem problemas. Foi a primeira visita de um monarca britânico à República da Irlanda desde a independência irlandesa, em 1921, e representava uma corda bamba diplomática.

Gestos ousados incluíram a rainha depositando uma coroa de flores para aqueles que morreram lutando contra a coroa britânica e a visita à cena de um massacre de 14 pessoas por forças britânicas. Em um discurso à nação, ela manifestou solidariedade para com aqueles que sofreram durante as várias décadas de conflito entre os vizinhos.

"Foi um sucesso impressionante", disse Diarmaid Ferriter, professor de história irlandesa moderna na University College, de Dublin. "Sabíamos o que iria acontecer com antecedência, mas não é até a hora que você vê que se percebe o poder do simbolismo. Afetou as pessoas de uma forma que deve tê-las surpreendido".

PROTESTOS

Várias dezenas de nacionalistas protestaram a algumas centenas de metros da rainha, mas não houve desordem em Cork, conhecida como bastião rebelde por sua resistência à divisão da Irlanda durante a guerra civil que se seguiu à independência da Grã-Bretanha.

No gesto mais importante por parte de um político nacionalista desde o início da viagem, o prefeito de Cashel, Mickey Browne, do partido Sinn Fein, apertou a mão da rainha durante a vista à cidade.

O Sinn Fein era o braço político do agora extinto Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutou uma campanha de 30 anos contra as forças britânicas na Irlanda do Norte antes de concordar com um acordo de paz em 1998.

O partido disse acreditar que a viagem da rainha era prematura, mas não realizou nenhum protesto significativo.

Grupos dissidentes linha-dura realizaram manifestações esparsas de não mais de uma dúzia de pessoas.

Depois dos cansativos primeiros dias sob o peso de séculos de bagagem histórica, a rainha teve tempo para ver pontos de interesse na sexta-feira. Ela visitou o castelo e a catedral junto à rocha de Cashel, um dos mais célebres locais da Irlanda medieval.

Ela então viajou a Cork, onde visitou o mercado inglês, o mais antigo mercado de alimentos da Irlanda, fundado sob o domínio britânico, no século 18.

Em frente ao mercado, ela foi saudada pela maior multidão da viagem, com pessoas penduradas em postes de luz e um casal agitando bandeiras britânicas, algo extremamente raro na Irlanda.

"Eu realmente não percebi a razão para a visita no início, mas vendo como tudo deu tão certo, posso ver que é um passo à frente", disse Ger Eagan, estudante de música de 24 anos de Cork. "Isso não vai mudar a linha-dura, mas envia um sinal para todos que tivemos progresso."

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