Rainha Elizabeth visita cenário do 'Domingo Sangrento' irlandês

Compromisso é considerado um gesto da monarca à Irlanda, antigo inimigo da Grã-Bretanha

CARMEL CRIMMINS, REUTERS

18 de maio de 2011 | 12h59

Elizabeth II visita o estádio Croke Park com a chefe de Estado da Irlanda e o presidente da GAA

 

DUBLIN - A rainha Elizabeth II teve nesta quarta-feira, 18, um dos compromissos diplomáticos mais ousados de seu reinado, ao pisar no gramado do estádio Croke Park, na Irlanda, palco de um massacre cometido por tropas britânicas.

 

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Em um gesto que simbolizou a união atual entre os dois antigos inimigos, a rainha foi levada ao estádio por Hogan Stand, que recebeu este nome em homenagem a um jogador morto no "Domingo Sangrento" de quase um século atrás.

 

Ao lado da rainha estavam também a presidente irlandesa, Mary McAleese, e o presidente da Associação Galega de Esportes (GAA na sigla em inglês), Christy Cooney. A monarca encontrou jogadores, conversou sobre o esporte irlandês e assistiu a apresentações de músicas e danças tradicionais, apesar de o estádio estar totalmente vazio -- um reflexo do rígido plano de segurança para a visita da monarca.

Soldados irlandeses

 

Antes de visitar o estádio nacional irlandês, a rainha deitou uma coroa de papoulas em homenagem aos quase 50 mil soldados irlandeses mortos lutando pela Grã-Bretanha na primeira Guerra Mundial -- um grupo que frequentemente passa despercebido na história da Irlanda.

Em sua visita de Estado de quatro dias, a primeira de um monarca britânico desde que a Irlanda conquistou sua independência de Londres, em 1921, a rainha vem demonstrando determinação em encarar o passado sangrento e oferecer gestos potentes de reconciliação.

A Irlanda saudou sua decisão de oferecer uma coroa de flores em homenagem aos irlandeses mortos na luta pela independência da coroa britânica, o que Elizabeth fez na terça-feira, e nas ruas de Dublin as pessoas esperavam que a visita da rainha a Croke Park reforçaria esse efeito.

Simbolismos

 

O estádio Croke Park é um lugar repleto de simbolismo para os nacionalistas. Em 1920, durante a guerra pela independência da Irlanda, tropas britânicas metralharam a multidão no estádio, em represália pela morte de 14 agentes de inteligência britânicos na noite anterior.

Morreram 14 civis, um deles de apenas 10 anos, e assim nasceu a expressão "Domingo Sangrento", que se tornaria uma palavra de ordem da causa nacionalista. Alguns anos atrás, a presença da rainha, comandante das Forças Armadas britânicas, em um local tão sagrado para os nacionalistas irlandeses teria causado ofensa a muitos irlandeses.

Mas um acordo de 1998 que pôs fim à guerra de guerrilha dos nacionalistas irlandeses contra o domínio britânico, e o pedido de desculpas formulado pelo primeiro-ministro britânico David Cameron pelo "Domingo Sangrento" da Irlanda do Norte -- quando tropas britânica mataram 13 manifestantes em 1971 -- abriram o caminho para isso.

Cervejaria

 

Antes de comparecer ao Croke Park, a rainha visitou a cervejaria Guinness. Trajando chapéu turquesa e casaco combinante de lã suíça, a monarca também teve um encontro com o primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny.

Acompanhada por seu marido, o duque de Edimburgo, ela conversou com Kenny e a esposa dele diante de um retrato de Michael Collins, o líder revolucionário que ordenou o assassinato dos espiões britânicos na noite que antecedeu o "Domingo Sangrento".

Mais tarde Kenny teve um encontro com David Cameron, que está fazendo sua primeira visita oficial à Irlanda. Ele também compareceu ao banquete de Estado, no qual a rainha fez um discurso.

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