J.J. Guillén/Efe
J.J. Guillén/Efe

Rajoy nega ter recebido dinheiro oculto em resposta a acusação de corrupção

Mariano Rajoy estaria entre os que recebem dinheiro de esquema corrupto desde 1997

Efe

02 de fevereiro de 2013 | 12h45

MADRI - O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, afirmou neste sábado que é "falso" que tenha recebido dinheiro oculto de seu partido, e anunciou que na próxima semana fará públicas suas declarações de renda para eliminar qualquer dúvida.

"Nunca recebi nem dividi dinheiro sujo, nem neste partido nem em nenhum lugar", disse Rajoy, em pronunciamento divulgado em aberto perante a cúpula do Partido Popular (PP), reunida de forma extraordinária para falar sobre o escândalo gerado pelas informações de imprensa sobre supostos pagamentos ocultos a dirigentes desta legenda, incluído o chefe do Governo.

Rajoy também afirmou que "se equivoca" quem pensa que por meio de "assédio" ele vai abandonar sua tarefa à frente do Executivo.

Estas são as primeiras explicações públicas de Rajoy desde que, na quinta-feira passada, o jornal espanhol "El País" publicou uma suposta contabilidade manuscrita do ex-tesoureiro do PP Luis Bárcenas, acusado no caso de corrupção conhecido como "Gürtel".

Após reconhecer que as informações publicadas sobre uma suposta contabilidade oculta do Partido Popular criaram um "escândalo de grandes dimensões", o presidente do Governo se perguntou de onde tinham saído e quem tinha posto em circulação o que qualificou como "mentiras".

Rajoy acusou os possíveis culpados pela divulgação desses documentos de tentar criar na Espanha "uma situação de instabilidade em um momento complicado".

"Foi gerado um escândalo que afeta membros muito significativos do partido. Não sei quais são as intenções, também não sei quem manipula os dados, nem quem os vaza e não vou fazer nenhuma especulação sobre o tema", ressaltou Rajoy.

O chefe do Executivo também lamentou o "comportamento do chefe da oposição", o líder socialista Alfredo Pérez Rubalcaba, por ter dado "a insinuações danosas o crédito que não merecem" sem caldular o efeito que podem ter na situação do país e os danos à Espanha.

"Não vamos ficar de braços cruzados ante os ataques" que tentam desacreditar o Governo, reiterou Rajoy, que também voltou a desvincular seu partido das contas de 22 milhões de euros que, segundo se soube recentemente, o ex-tesoureiro Bárcenas teve na Suíça.

Entre os receptores desses supostos repasses estariam, desde 1997, Rajoy, a atual secretária-geral do PP, María Dolores de Cospedal, seus antecessores no cargo, Francisco Álvarez-Cascos, Javier Arenas e Ángel Acebes, e os então vice-secretários Rodrigo de Rato e Jaime Mayor Oreja.

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