Referendo irlandês coloca a Europa em nova crise política

Para analistas, o 'não' irlandês para o Tratado de Lisboa foi uma derrota para os principais líderes do continente

Agência Estado e Associated Press,

13 de junho de 2008 | 19h44

A rejeição do Tratado de Lisboa pelos irlandeses lançou a União Européia (UE) em uma nova crise institucional, semelhante à de 2005, quando França e Holanda disseram "não" ao referendo constitucional. O presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, que disse algumas vezes que a Europa não tem um plano B para o tratado, lembrou que o bloco já passou por crises semelhantes. "Só espero que desta vez também encontremos uma solução", disse. Veja também:Em golpe contra UE, Irlanda recusa tratadoEntenda o referendo e o Tratado de Lisboa Agora, de acordo com as palavras do premiê irlandês, Brian Cowen, tanto Irlanda quanto UE estão navegando em "águas não mapeadas". A rejeição do Tratado de Lisboa pelos irlandeses deixou a UE com apenas duas opções.  A primeira seria conceder à Irlanda uma isenção temporária do tratado e permitir que ela o ratifique em um futuro próximo em novo referendo - a mesma coisa que foi feita com o Tratado de Nice. A segunda seria fazer com que todos os países da UE voltem para a mesa de negociação e reescrevam outro texto constitucional.  Para os analistas, o "não" irlandês foi uma derrota para alguns dos principais líderes do continente. Um dos que saíram mais arranhados foi o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. O partido do premiê, o Trabalhista, tinham como promessa de campanha em 2005 realizar um referendo sobre a proposta de Constituição da UE, que acabou sendo sintetizada no Tratado de Lisboa.  A idéia foi engavetada por causa da ameaça de os britânicos fazerem exatamente o que os irlandeses fizeram, rejeitar o texto Assim, o governo, então chefiado por Tony Blair, preferiu um caminho mais curto e seguro, forçando a aprovação do tratado por meio do Parlamento. Nesta sexta-feira, Brown afirmou que o projeto continuará tramitando e prometeu que até outubro o tratado estará ratificado. A crise aberta também atingiu os ambiciosos planos de Nicolas Sarkozy tinha para a presidência francesa da UE, a partir de julho. Sarkozy havia prometido dedicar sua presidência do bloco a uma série de projetos, como defesa, energia e aquecimento global, uma união de nações do Mediterrâneo e um pacto para a imigração. Especialistas dizem que a França terá agora de agir rápido para tirar o bloco do impasse. Sarkozy terá de acelerar suas iniciativas, já que a presidência francesa termina no início de 2009. Suam maior missão será convencer a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, a mudar de idéia e discutir um novo acordo.  Recentemente, Merkel descartou voltar a negociar uma Constituição para a Europa. Nesta sexta-feira, ela pediu paciência para os membros do bloco. "É claro que esperávamos um resultado diferente", disse a chanceler. "Mas, como bons europeus, temos de encarar a realidade e encontrar uma saída."

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