Regiões da Geórgia pedem reconhecimento de independência

Embaladas por Kosovo, Abkházia e Ossétia do Sul farão 'em breve' o pedido à Rússia, CEI e à ONU

Efe,

17 de fevereiro de 2008 | 17h54

As regiões separatistas da Geórgia, Abkházia e Ossétia do Sul, anunciaram neste domingo, 17, que "em breve" pedirão à Rússia, à Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e à ONU que reconheçam sua independência, incentivadas pelo anúncio feito pelo Kosovo. Veja também:Kosovo declara independência da SérviaKosovo tem explosões e tensão após independência 'Sérvia nunca reconhecerá o Kosovo', diz presidenteRússia quer que ONU anule independência de KosovoConselho de Segurança se reúne para discutir KosovoKosovo: independência aumenta abismo entre Rússia e OcidenteEntenda o que está em jogo em KosovoMapa: a disputa dos Bálcãs  "A situação no Kosovo é um precedente. Não se pode dizer que o Kosovo seja um caso único. Isso é usar dois pesos e duas medidas", disse Serguei Bagapsh, presidente da Abkházia, à agência russa Interfax. Bagapsh ressaltou que, "independentemente da postura dos Estados Unidos e de alguns países europeus, a Abkházia continuará sua luta pela independência". Já Eduard Kokoiti, líder da Ossétia do Sul - república autoproclamada independente, assim como a Abkházia -, afirmou que ambas as regiões têm "mais argumentos políticos e jurídicos que o Kosovo para que sejam reconhecidas como independentes". "O que o Kosovo faz agora já ocorreu na Abkházia e na Ossétia do Sul há 17 anos. Tenho certeza de que a independência das duas regiões será reconhecida em breve", disse. Bagapsh e Kokoiti, que tinham coordenado suas posições esta semana em Moscou com o ministro de Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, exporão seus planos de futuro na segunda-feira, em entrevista coletiva na capital russa. Anteriormente, os dirigentes das duas regiões tinham manifestado sua esperança de que a Rússia apoiasse seus desejos de independência assim que fosse consumada a secessão do Kosovo. "Esperamos que a Rússia conduza sua política em relação à Ossétia do Sul e à Abkházia de maneira diferente, levando nossos interesses mais em conta", disse Murad Dzhioev, ministro de Exteriores da Ossétia do Sul. O diplomata afirmou que "praticamente todos os habitantes de ambas as regiões georgianas já são cidadãos russos". Kosovo Na mesma linha, Bagapsh se mostrou convencido de que a independência do Kosovo "contribuirá para uma mudança na postura da Rússia em relação à Abkházia e à Ossétia do Sul". "A Rússia levará mais em conta nossos interesses. Prosseguiremos nossa luta pela independência" da Abkházia, disse. Além disso, negou o possível envio de uma missão civil da União Européia para a região do conflito, em substituição às atuais forças de intermediação russas, como propõe a Geórgia. Os habitantes das duas regiões já tinham manifestado o desejo de independência quando Montenegro se separou da Sérvia por meio de um plebiscito. As duas repúblicas, que romperam laços com a Geórgia após sangrentas guerras civis em meados dos anos 90, nas quais contaram com apoio militar russo, defendem a transformação do plebiscito montenegrino em um "instrumento universal" de solução de conflitos. Embora o presidente russo, Vladimir Putin, apóie abertamente a iniciativa de "universalizar" o plebiscito, ele já disse que a Rússia não aceitará novos territórios em seu país, pois representariam uma maior "carga financeira". O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, acusa a Rússia de comandar uma "anexação disfarçada" ao conceder maciçamente a cidadania russa aos habitantes da Abkházia e Ossétia do Sul, que em caso de independência se tornariam protetorados de Moscou.

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