Rei da Bélgica aceita renúncia de governo de Leterme

Premiê e sua equipe caem em meio ao escândalo do banco Fortis; seguem negociações para substituto

Efe e Reuters,

22 de dezembro de 2008 | 16h13

O rei da Bélgica, Alberto II, aceitou a renúncia do governo liderado pelo democrata-cristão Yves Leterme, apresentada na sexta-feira pelo escândalo envolvendo o banco Fortis. Segundo a agência de notícias Belga, o monarca pediu ao governo que, por enquanto, continue realizando as gestões correntes, enquanto seguem as negociações para buscar um substituto ao primeiro-ministro.   Veja também: Governo belga renuncia em plenário por crise sobre caso Fortis   No domingo, Leterme descartou uma volta ao cargo, iniciando uma luta por sua sucessão entre os cinco partidos da coalizão. Jean-Luc Dehaene, que governou a Bélgica no período 1992-99, surge como forte candidato para ocupar interinamente o cargo até a eleição parlamentar de junho de 2009   "Acho que há uma grande chance de que seja Dehaene", disse o cientista político Carl Devos, da Universidade de Ghent. "Ele tem experiência, foi primeiro-ministro e seria um gerente eficaz para a crise."   O desafio do novo premiê será enorme. A Bélgica deve mergulhar na recessão neste trimestre, e o governo precisa aprovar urgentemente um pacote de 2 bilhões de euros (US$ 2,8 bilhões) para estimular a economia, além de enfrentar também o aumento do desemprego e o colapso do importante banco Fortis.   Os investidores do banco, cujas ações caíram de quase 30 euros em abril de 2007 para cerca de 1 euro, conseguiram barrar na Justiça a divisão do grupo e a venda de parte do patrimônio para o banco francês BNP Paribas.   Políticos liberais flamengos têm restrições quanto à indicação de Dehaene, 68 anos, que assumiu a presidência do banco Dexia, rival do Fortis, depois de uma operação de resgate do grupo franco-belga, em outubro. A oposição de idioma holandês considera Dehaene esquerdista demais.   Outros possíveis candidatos incluem o presidente da Câmara, Herman Van Rompuy, o ex-premiê Guy Verhofstadt, o ministro das Finanças, Didier Reynders, e Marianne Thyssen, dirigente do Partido Democrata-Cristão Flamengo.   A Bélgica praticamente emenda uma crise na outra desde a eleição geral de junho de 2007, em geral devido à incapacidade de Leterme de mediar um acordo entre os partidos flamengos, que querem mais poderes para Flandres, e os valões (francófonos), que temem a fragmentação do país.   A divisão da Bélgica, um país criado há 178 anos, deve voltar a ser discutida com a aproximação das eleições gerais de 2009.

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