Rei da Bélgica não aceita renúncia de primeiro-ministro

Alberto II pede que gabinete promova o diálogo; pedido de Yves Leterme cria crise política no país

Efe,

17 de julho de 2008 | 19h34

O rei Alberto II da Bélgica rejeitou nesta quinta-feira, 17, a renúncia do primeiro-ministro Yves Leterme e pediu ao gabinete que promova o diálogo, segundo um comunicado do Palácio Real. O rei deu aos ministros de Estado, François-Xavier de Donnea e Raymond Langendries, e ao ministro da Presidência, Karl-Heinz Lambertz, a missão de examinar que possíveis garantias podem ser oferecidas para estabelecer um diálogo institucional "crível." Veja também:Premiê belga se prepara para renunciar Segundo o comunicado oficial, os ministros aceitaram esta missão, e informarão ao rei sobre seus resultados no final deste mês. A Bélgica se encontra de novo afundada em uma crise política após a renúncia do primeiro-ministro, o democrata-cristão flamengo Yves Leterme, que foi incapaz de superar as diferenças que taxou de "irreconciliáveis" entre as duas comunidades principais do país, flamengos e francófonos. O pedido de renúncia de Leterme há dois dias deixou a Bélgica no bloqueio quase total, pouco mais de quatro meses depois que de o líder flamengo conseguir formar a duras penas um governo de grande coalizão. Os partidos flamengos e a legenda do primeiro-ministro tinham condicionado a sobrevivência do Governo federal à conclusão, antes de 15 de julho, de um acordo sobre uma nova descentralização do Estado, incluindo a cisão do distrito eleitoral e judicial de Bruxelas-Halle-Vilvoorde (BHV). Nestes quatro meses, Leterme havia conseguido que os cinco membros da coalizão (democratas-cristãos, liberais flamengos e francófonos, e socialistas francófonos) concordassem sobre o orçamento e um pacote socioeconômico para vários anos, mas não tinha avançado no terreno institucional. Quase sem tempo, o primeiro-ministro tentou uma manobra arriscada, vincular os presidentes dos executivos regionais nas negociações para a reforma do Estado, que estavam sendo protagonizadas exclusivamente pelos dirigentes dos principais partidos. O objetivo era colocar uma negociação "de comunidade a comunidade" como pedem os flamengos, ganhar tempo como desejam os francófonos, mas também obrigar seu principal rival no campo flamengo, o também democrata-cristão Kris Peeters, presidente do Governo de Flandres, a envolver-se na busca por um compromisso nacional com os francófonos. Quando ficou claro que seu partido não apoiava idéia, Leterme propôs ao rei a renúncia de todo o governo.

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