Reino Unido bane entrada de mão-de-obra desqualificada

Sistema de pontuação deve impedir que trabalhadores de fora da UE com pouca experiênica entrem no país

Ansa,

05 de dezembro de 2007 | 15h25

O governo britânico anunciou nesta quarta-feira, 5, uma série de novas regulamentações para os imigrantes que buscam trabalhar no Reino Unido, os quais deverão cumprir, a partir do próximo ano, um sistema de pontuação. A administração afirmou que está preocupada com os impactos sociais que trabalhadores não-qualificados de países que não integram a União Européia e decidiu bani-los de ocupar empregos no Reino Unido, como uma medida para "prevenir o futuro".   De acordo com o plano, os imigrantes altamente qualificados com inglês fluente terão prioridade para trabalhar e permanecer no país. Eles poderão trazer consigo suas famílias e se estabelecer permanentemente no país em um prazo de cinco anos. Trabalhadores sem qualificações e com pouca experiência, terão maiores dificuldades para trabalhar no país, e não contarão com direitos para permanecer em solo britânico ou pedir cidadania.   Além disso, de acordo com as novas medidas, parceiros estrangeiros de britânicos que pretendem viver no país devem passar por uma avaliação de inglês. As decisões surgem no momento em que ministros revelam alguns detalhes do novo sistema para imigrantes.   Cerca de 12 mil trabalhadores não-especializados de países na África, América e Ásia chegam ao Reino Unido a cada ano para trabalhar. Segundo o novo sistema, os imigrantes não provenientes da União Européia necessitam de pelo menos de 75 pontos para terem a chance de conquistar um visto de trabalho. O sistema de pontuação substitui os 80 tipos de vistos e permissões de trabalho que existiam no país.   No primeiro grupo estarão os médicos, engenheiros, empresários e especialistas em tecnologia, os quais irão obter mais pontos e poderão chegar ao Reino Unido sem trabalho, para buscar emprego. No segundo grupo estão as enfermeiras, professores e encanadores, os quais poderão viajar ao país apenas se seus serviços forem necessitados no mercado de trabalho. O novo sistema também dará mais pontos aos imigrantes jovens que cobravam altos salários em seus empregos anteriores. Aqueles imigrantes que buscam trabalhos em restaurantes, bares, pubs e serviços domésticos, como tarefas de limpeza ou cuidado com crianças, terão a entrada autorizada apenas se existirem postos específicos por períodos limitados, com a breve saída do país. Para assegurar que esses trabalhadores deixem o Reino Unido, a apresentação da passagem de retorno será obrigatória, além do imigrante entregar um depósito que será devolvido na sua saída do país.   O governo espera que, com o novo plano, melhorem os níveis de confiança pública na política de imigração, que, segundo as pesquisas, é um dos principais temas de preocupação dos britânicos. Recentemente, os índices de imigração foram subestimados pelas autoridades e, nos últimos meses, a imprensa divulgou vários escândalos por erros das autoridades.   O governo ainda procura de determinar quantos imigrantes sem documentos obtiveram trabalhos de segurança nos diferentes ministérios. Estima-se que cerca de 10 mil pessoas tenham sido empregadas.   A ministra do Interior britânica, Jacqui Smith, declarou que o novo plano "é o maior sistema de imigração da história do país". "Ele permite a continuidade do benefício da imigração, enquanto nos asseguramos que não se abuse do sistema", acrescentou. "Além disso, irá permitir que o Reino Unido receba a experiência, o talento e as idéias necessárias para seguir como uma nação líder no mundo", destacou Smith.

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