Reino Unido decide expulsar quatro diplomatas russos

Londres reponde negação russa em extraditar Andrei Lugovoi, o principal suspeito na morte de Litvinenko

Reuters,

16 Julho 2007 | 13h54

O governo britânico informou nesta segunda-feira, 16, que decidiu expulsar quatro diplomatas da embaixada russa em Londres e que suspenderá negociações sobre vistos para a entrada de cidadãos russos no Reino Unido em retaliação à recusa de Moscou em extraditar um suspeito pela morte do ex-agente russo Alexander Litvinenko. Veja Também: Garçom diz que chá de ex-espião foi envenenado Rússia chama de imoral decisão britânica Saída russa de pacto antiarmas preocupa Otan   Ex-integrante da extinta KGB, Litvinenko fugiu para o Reino Unido e tornou-se um ferrenho crítico do presidente russo, Vladimir Putin. Ele morreu em Londres, em novembro, depois de ser envenenado com uma substância radioativa.   A Rússia recusa-se a extraditar o também ex-agente dos serviços de segurança russos Andrei Lugovoi, principal suspeito pela morte. Promotores britânicos querem que ele responda à Justiça britânica, uma vez que consideram a russa sujeita a pressões políticas.   O secretário das Relações Exteriores britânico, David Miliband, disse que a medida não é "anti-Rússia", mas afirmou que o objetivo é mostrar o quão a sério o Reino Unido levou a decisão de Moscou.   "É uma situação que o governo não buscou e que não é bem vinda. Mas não temos escolha senão lidar com ela", disse Miliband num discurso ao Parlamento. A Rússia afirmou que vai dar uma "resposta adequada", segundo a agência estatal RIA Novosti. A decisão britânica complica ainda mais as relações entre Moscou e o Ocidente. No sábado, o presidente russo, Vladimir Putin, assinou um decreto suspendendo a participação da Rússia em um pacto da época da Guerra Fria que limitava o número de forças militares européias em operação no continente.   Além disso, as tensões entre a Rússia e os Estados Unidos também se agravaram nos últimos meses depois que Moscou disse que retaliaria apontando mísseis para a Europa caso um escudo antimísseis americano fosse instalado na República Tcheca e Polônia.   "Optamos por expulsar quatro diplomatas, quatro diplomatas em particular, para mandar um sinal claro e proporcional ao governo russo sobre a seriedade desse caso", disse Miliband, que também agradeceu o apoio da União Européia. Litvinenko, ex-espião do Serviço Federal de Segurança (antiga KGB), morreu em 23 de novembro de 2006, após adoecer cerca de um mês antes, em 1º de novembro, dia em que se encontrou com o também ex-espião Andrei Lugovoi e com outro cidadão russo, Dmitry Kovtun, no hotel Millennium da capital britânica.   O ex-espião vivia com a família no norte de Londres e tinha recebido a nacionalidade britânica após se refugiar há alguns anos no Reino Unido. Em carta divulgada após sua morte, Litvinenko disse que o Kremlin estaria por trás de seu assassinato, pelo fato de o ex-agente ter acusado os serviços secretos russos de causar uma série de explosões em um edifício de Moscou, em 1999, para ajudar Vladimir Putin a chegar à Presidência.   Denúncias   Desde maio, quando a promotoria britânica acusou Lugovoi pelo assassinato, o Kremlin tem encorajado a mídia russa a culpar o oligarca russo Boris Berezovski e o MI6 (serviço secreto britânico) pelo assassinato do ex-agente soviético. Os canais de televisão também exibiram longas entrevistas com Lugovoi, que afirmou que o MI6 tentou contratá-lo e que Litvinenko teria se envenenado.   Numa coletiva de imprensa surreal em Moscou, Lugovoi declarou que os responsáveis pelo assassinato eram Tony Blair, Berezovski e a máfia georgiana. Em Downing Street, as autoridades acham que, se quisesse, o Kremlin poderia extraditar Lugovoi.   Derek Averre, especialista em Rússia da Universidade de Birmingham, disse que sua expectativa é de que Moscou responda na mesma moeda, mas sem a intenção de aumentar a dimensão do conflito, principalmente devido aos interesses comerciais. "Não acho que eles façam nada que ponha isso em risco." Miliband disse que o Reino Unido também vai rever a colaboração com a Rússia sob vários aspectos, inclusive na emissão de vistos para autoridades russas. "O governo acredita que a Rússia seja um parceiro internacional essencial para a Reino Unido", disse o secretário. "Por todos esses motivos precisamos de um relacionamento baseado na confiança e no respeito mútuo."

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