Reino Unido e Rússia estão perto de crise diplomática

Londres quer tomar medidas restritivas após recusa de extradição de ex-agente

Efe

12 Julho 2007 | 10h00

O Reino Unido está perto de uma crise diplomática com a Rússia e pode decretar a expulsão de diplomatas russos devido à recusa de Moscou em extraditar Andrei Lugovoi, exigido por Londres por suposta ligação com o assassinato doex-espião Aleksandr Litvinenko.O jornal The Guardian afirma nesta quinta-feira, 12, que o ministro de Relações Exteriores britânico, David Miliband, analisa as opções e espera apresentar ao Parlamento na próxima semana um relatório sobre as medidas que o Reino Unido tomará contra a Rússia.Entre elas estão a expulsão de diplomatas e a retirada da cooperação em áreas como educação, comércio, assuntos sociais e a luta antiterrorista, acrescenta o jornal. Aparentemente, os funcionários do Foreign Office esperam uma represália imediata e furiosa da Rússia, que poderia também expulsar diplomatas britânicos.Segundo o Guardian, o governo quer enviar um sinal muito forte ao Kremlin após a recusa em entregar o empresário e ex-agente Andrei Lugovoi, considerado pelas autoridades britânicas o principal suspeito do assassinato de Litvinenko.Na terça-feira, o governo britânico disse que considerava "inaceitável" a decisão russa e deixou claro que elaboraria a reação com a seriedade que o caso merece.As autoridades russas negaram formalmente a extradição de Lugovoi.Em 28 de maio, Londres entregou a Moscou o pedido de extradição depois de a Promotoria britânica ter informado que dispunha de provas suficientes para acusá-lo do assassinato.Recentemente, Lugovoi acusou o próprio serviço secreto britânico de ter envolvimento na morte de Litvinenko e disse que o ex-espião trabalhava para eles, assim como o magnata russo Boris Berezovski, exilado em Londres.Litvinenko, ex-agente do Serviço Federal de Segurança (ex-KGB), morreu em 23 de novembro de 2006 no University College Hospital de Londres devido a uma alta dose de polônio-210.O ex-espião adoeceu em 1º de novembro de 2006, dia em que se encontrou com Lugovoi e com outro russo, Dmitri Kovtun, no hotel Millennium da capital britânica, onde tomou uma xícara de chá. Várias pessoas que trabalhavam no hotel também foram contaminadas com polônio, segundo os testes.Litvinenko morava com a família em Londres e tinha recebido a nacionalidade britânica após se refugiar no Reino Unido alguns anos antes.Em carta divulgada após sua morte, Litvinenko disse que o Kremlin estaria por trás de seu assassinato, pelo fato de o ex-agente ter acusado os serviços secretos russos de causar uma série de explosões em um edifício de Moscou, em 1999, para ajudar Vladimir Putin a chegar à Presidência.

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