Hannah McKay/Reuters
Hannah McKay/Reuters

Reino Unido ficará sem remédios e comida em caso de Brexit sem acordo, afirma jornal britânico

De acordo com um documento do governo vazado ao Sunday Times, congestionamento nas fronteiras pode chegar a três meses; Boris Johnson afirma que saída da União Europeia acontecerá de qualquer maneira

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2019 | 22h53

O Reino Unido pode enfrentar desabastecimento de combustível, alimentos e medicamentos se deixar a União Europeia sem um acordo de transição, segundo documentos oficiais vazados ao jornal britânico Sunday Times.

De acordo com a publicação, a análise do governo cita os prováveis cenários de um Brexit sem acordo e não são as previsões mais pessimistas possíveis. O arquivo foi classificado como 'sensível' pelas autoridades britânicas.

"Compilado este mês pelo Gabinete do Governo sob o codinome Operação Yellowhammer, o dossiê oferece um raro vislumbre do planejamento encoberto que está sendo realizado pelo governo para evitar um colapso catastrófico na infra-estrutura do país", informou o Times.

Os documentos afirmam que na hipótese de limitação da circulação de pessoas e mercadorias nas fronteiras da Irlanda do Norte -o que é visto pelo governo como uma possibilidade concreta, haverá um congestionamento nos acessos ao país que pode durar até três meses, atrasando a entrega de mercadorias. Até 85% do transporte seria afetado.

O Reino Unido está caminhando para uma crise constitucional interna e um confronto com a União Europeia, enquanto o primeiro-ministro Boris Johnson ameaça repetidamente deixar o bloco em 31 de outubro sem acordo, a menos que o os países parceiros concordem em renegociar o Brexit.

A União Europeia recusou a reabertura do Acordo de Saída, que inclui uma apólice de seguro de fronteira irlandesa que a antecessora de Johnson, Theresa May, concordou em novembro. Johnson deve comunicar nesta semana ao presidente da França, Emmanuel Macron, e à chanceler alemã, Angela Merkel, que o parlamento de Westminster não pode impedir o Brexit e que um novo acordo deve ser firmado se a Inglaterra quiser evitar deixar a União Europeia sem diálogo.

O primeiro-ministro está sendo pressionado por toda a classe política inglesa para evitar uma saída desordenada, com o líder da oposição Jeremy Corbyn prometendo nesta semana derrubar o governo de Johnson no início de setembro para atrasar o Brexit. No entanto, não está claro se os legisladores têm o poder de usar o parlamento britânico para impedir o acordo.

Opositores defendem que esse cenário seria um desastre para o que já foi uma das democracias mais estáveis ​​do Ocidente. Uma separação desordenada, afirmam, prejudicaria o crescimento global, afetaria mercados financeiros e enfraqueceria a pretensão de Londres de ser o mais importante centro financeiro do mundo.

Os defensores da separação dizem que pode haver uma interrupção de curto prazo do Brexit, mas que a economia irá prosperar se houver o rompimento com a  integração que teria levado a Europa a ficar para trás da China e dos Estados Unidos. / REUTERS

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