Reino Unido pressionará Líbia a compensar vítimas do IRA

Gordon Brown diz apoiar pedidos de indenização, mas é acusado de dar prioridade a interesses comerciais

Reuters

06 de setembro de 2009 | 18h26

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, disse neste domingo, 6, que apoiaria pedidos de indenização contra a Líbia para familiares de vítimas do IRA, que afirmam que Trípoli ajudou a armar o grupo guerrilheiro.

 

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Brown foi forçado a esclarecer sua política às pressas quando advogados e defensores das famílias das vítimas acusaram ele de colocar interesses comerciais com a Líbia antes da justiça, após o surgimento de cartas insinuando que ele temia abalar a melhora nas relações com o país.

"Eu me preocupo muito com o que aconteceu àquelas pessoas que foram vítimas do terrorismo do IRA", disse Brown a jornalistas, após conversas com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Berlim.

"Nós indicaremos oficiais dedicados do nosso escritório de relações internacionais e da nossa embaixada em Trípoli para acompanhar as famílias e seus representantes nas reuniões com o governo líbio para negociar as indenizações", acrescentou. "E o primeiro desses encontros acontecerá nas próximas semanas", informou.

As relações entre o Reino Unido e a Líbia estão sob os holofotes desde a libertação no início do mês passado do líbio Abdel Basset al-Megrahi, condenado pelo atentado contra o voo 103 da Pan Am, que explodiu enquanto sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie, matando 270 pessoas. Al-Megrahi, 57, foi libertado de uma prisão escocesa sob alegação de que tinha câncer de próstata e de que não teria muito tempo de vida.

Em duas cartas endereçadas no ano passado ao advogado das vítimas, Jason McCue, e divulgadas pelo gabinete do primeiro-ministro neste domingo, Brown afirmou que não considera isso "apropriado" para discutir reivindicações por compensação sobre armamento enviado ao IRA.

Ele disse ainda que as crescentes relações comerciais não são a "razão central" para sua decisão, mas admitiu que ligações comerciais mais estreitas fazem parte de um novo relacionamento com Trípoli.

O gabinete do primeiro-ministro negou categoricamente neste domingo as insinuações de que Brown estivesse com medo de prejudicar acordos lucrativos no segmento de petróleo. "Como o primeiro-ministro deixa absolutamente claro na sua carta ao Sr. McCue, considerações comerciais não foram um fator na decisão do governo", disse um porta-voz.

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