Reino Unido quer reivindicar 1 milhão de km² na Antártida

Londres deve provocar atrito com Argentina e Chile, que brigam pelo mesmo território da região intocada

Efe,

17 de outubro de 2007 | 12h12

O Reino Unido pretende reivindicar a soberania sobre mais de 1 milhão de quilômetros quadrados na Antártida, segundo informa a edição desta quarta-feira, 17, do jornal britânico The Guardian.  A medida deverá irritar países da América do Sul, como Chile e Argentina, que acreditam ter maiores direitos sobre as riquezas naturais da região.  Fontes do Ministério de Relações Exteriores disseram ao jornal que estão recolhendo e processando dados para apoiar a reivindicação britânica. O objetivo é ampliar os direitos de exploração das reservas de petróleo, gás e minerais até 350 milhas náuticas.  O pedido, que o governo apresentará oficialmente às Nações Unidas, representa um claro desafio, segundo o jornal, ao espírito do tratado de 1959 sobre o continente. O acordo, para prevenir futuras disputas, proibia novas reivindicações territoriais sobre a Antártida. O protocolo ambiental do Tratado Antártico, assinado em 1991, proíbe toda atividade relacionada com a extração de minerais que não esteja destinada a fins de pesquisa. Em setembro, o jornal havia revelado que Londres estaria preparando um dossiê para reivindicar também as águas territoriais em torno de várias ilhas, como as Malvinas, a Geórgia do Sul, a Ascensão e Rockall, a oeste da Escócia. As reivindicações se baseiam no artigo 76 da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar. O governo britânico deve decidir ainda como argumentar sua reivindicação na ONU. Uma possibilidade, segundo o Guardian, seria alegar os limites da plataforma continental. A ONU permite aos países estender seus direitos territoriais sobre o fundo oceânico adjacente à plataforma continental em até 350 milhas do litoral.  O território antártico britânico, que o país reivindicou pela primeira vez em 1908, forma uma cunha triangular com o vértice no pólo sul e tem uma extensão superior a 1 milhão de quilômetros quadrados. Um submarino britânico desceu recentemente até mais de duas milhas de profundidade na beira da plataforma continental, em águas repletas de krill e outras pequenas criaturas marinhas. Boa parte do fundo do mar na região é tão profunda que por enquanto não torna tecnicamente viável a extração dessas matérias-primas.  Impasse no Ártico Os russos estão liderando uma nova "corrida pelo ouro" no norte do planeta, com corajosas tentativas de tomar controle de petróleo, gás, minerais em grandes partes do Oceano Ártico até o Pólo Norte. Segundo a BBC, a Rússia está alegando que uma cadeia de montanhas submarina conhecida como Cordilheira de Lomonosov é uma extensão do território russo. Ao mesmo tempo, outros Estados estão agindo para proteger os seus interesses no Ártico. O Canadá está planejando construir oito navios de patrulha, e o Congresso americano considera a proposta de construir dois navios polares novos. A corrida pelo Ártico se acirrou devido ao derretimento de partes da camada polar de gelo, que permitirá explorações mais fáceis.

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