Reino Unido reabre espaço aéreo

75% do espaço aéreo na Europa já está reaberto; companhias perdem US$ 250 mi ao dia

20 de abril de 2010 | 18h10

Associated Press e Reuters

 

LONDRES- O espaço aéreo do Reino Unido foi totalmente reaberto a partir das 18h de Brasília desta terça-feira, 20, de acordo com secretário de Transportes britânico, Andrew Adonis. Autoridades da aviação civil britânica confirmaram que todos os aeroportos no Reino Unido foram reabertos ao mesmo tempo.

 

Veja também:

blog Conte sua história sobre o caos nos aeroportos

linkMudança no tempo no empurrará nuvem ao Ártico

linkSistema ferroviário europeu precisa de melhoras

linkSaiba quais são os direitos dos passageiros

linkAumento da atividade do vulcão causa incerteza

mais imagens Veja imagens do vulcão Eyjafjallajoekull

 

"Os aeroportos irão abrir a partir desta noite a as companhias aéreas estão agora livres para retomar seus voos", disse Adonis.

 

De acordo com a Autoridade da Aviação Civil britânica (CAA, na sigla em inglês), a decisão foi tomada com base em análises de evidências de novos voos de teste e consultas com especialistas. A CAA deixou claro que cientistas agora diminuíram o risco de voar em áreas com baixas concentrações de cinzas.

 

"Essa abordagem baseada em evidências ajudou a validar um novo padrão que está sendo adotado na Europa", afirmou a entidade. "A maior barreira para retomar os voos foi entender a tolerância a níveis de cinzas. Cientistas agora concordaram em aumentar a tolerância em áreas com poucas cinzas".

 

As empresas de aviação comemoraram a reabertura, mas afirmaram que levará vários dias até que todos os passageiros afetados possam embarcar para seus destinos.

 

"Em favor das dezenas de milhares de clientes prejudicados ao redor do globo, nós estamos satisfeitos com que as autoridades prestaram atenção aos argumentos que nós e a indústria apresentamos", disse o CEO da British Airways, Willie Walsh, por meio de um comunicado.

 

A reabertura progressiva do espaço aéreo europeu nesta terça aliviou passageiros após dias de frustração desde que a restrição a voos foi imposta na última quinta-feira, quando as cinzas de um vulcão em erupção na Islândia começaram a invadir os céus da Europa.

 

Controladores do tráfego aéreo deram sinal verde para a retomada dos voos comerciais, mas as condições permaneciam variáveis em vários locais e algumas companhias tinham dificuldades para fazer planos.

 

Além do Reino Unido, o espaço aéreo também está liberado em Portugal, Espanha, Bélgica, Bulgária, República Tcheca, Hungria, Itália, sul da França, Grécia, Holanda, Noruega, Polônia, Romênia, o norte da Suécia, Suíça, Turquia e Ucrânia.

 

Com as reaberturas, apenas um quarto do espaço aéreo da Europa ainda apresenta restrições ao tráfico aéreo por causa da erupção do vulcão, declarou nesta terça-feira a Eurocontrol, a agência europeia de aviação.

 

"Quase 75% da área total do continente não sofre mais restrições", afirmou a agência.

 

Voos já partiram de Paris, Amsterdã, Frankfurt e Londres, mas os espaços aéreos de Alemanha e Irlanda continuam com restrições.

 

A União Europeia adotou na segunda-feira um regime para facilitar as restrições a voos sob pressão de companhias aéreas, que estão perdendo US$ 250 milhões por dia. Muitas empresas fizeram voos de teste sem danos às turbinas de seus aviões.

 

Cinzas

 

O vulcão da Islândia entrou em erupção na quarta-feira passada e lançou grandes quantidades de cinzas sobre o continente. Há o temor de que as partículas causem danos aos motores das aeronaves e possíveis acidentes. O serviço de controle de tráfego aéreo britânico (Nats, na sigla em inglês) informou que as últimas informações sobre o vulcão são de que a situação "continuará a ser variável".

 

Uma nova nuvem com cinzas vulcânicas do Eyjafjallajokull passará pelo Reino Unido e Dinamarca, mas não pela França, conforme previu hoje o Centro Consultivo Europeu sobre Cinza Vulcânica. A nova nuvem de cinza deve chegar aos céus europeus ainda nesta terça e o Reino Unido, em particular, deve sofrer mais transtornos.

 

Já a geofísica Sigrun Hreinsdottir, da Universidade da Islândia, afirmou que não houve sinais de aumento na atividade vulcânica. Segundo a especialista, a tendência é que o vulcão perca força. Gudrun Nina Petersen, do Escritório Meteorológico Islandês, disse que o Eyjafjallajokull está claramente expelindo menos cinzas.

 

Custos

 

Companhias aéreas e operadores de turismo continuavam a estimar o impacto financeiro do caos. A companhia irlandesa Aer Lingus calculou custos totais com os cinco dias de problemas entre 15 milhões e 20 milhões de euros.

 

A companhia previu que o custo diário varia entre 4 milhões e 5 milhões de euros, como resultado das perdas nos negócios e no apoio aos passageiros que não podem voar.

 

O setor industrial também sente o problema nas rotas globais. A japonesa Nissan Motor informou hoje que suspenderá temporariamente parte de suas linhas de produção domésticas, pois não conseguia importar sensores da Irlanda.

 

O vulcão islandês deixou pelo menos oito milhões de passageiros em terra e custou às companhias aéreas pelo menos US$ 1 bilhão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.