Relações EUA-Alemanha estão pior que na guerra do Iraque, diz aliado de Merkel

A relação entre a Alemanha e os Estados Unidos está pior agora do que durante a invasão norte-americana ao Iraque há uma década, disse um importante aliado da chanceler Angela Merkel nesta quinta-feira, em um sinal da crescente irritação de Berlim com as táticas de espionagem norte-americanas.

NOAH BARKIN, Reuters

16 de janeiro de 2014 | 13h53

Philipp Missfelder, porta-voz no Parlamento para assuntos de política externa do partido de Merkel, o Democrata Cristão (CDU), declarou que Berlim deveria bloquear o acesso dos EUA a um banco de dados de transações financeiras internacionais, caso Washington não prometa parar de espionar a Alemanha. O parlamentar deve ser confirmado em breve como coordenador do governo para as relações com os EUA.

Relatos nesta semana sugerem que as negociações sobre um acordo de "não espionagem", iniciadas depois das revelações no ano passado de que a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos EUA havia monitorado o celular de Merkel, estão perto de fracassar porque Washington se recusa a descartar a possibilidade de escuta secreta em um de seus maiores aliados no pós-guerra.

"2003 é visto em geral como um momento de baixa nas relações entre Alemanha e EUA", afirmou Missfelder, em referência à desavença sobre a invasão ao Iraque.

"Mas se você olha a situação atual, a perda de confiança não é menor do que naquela época. É provavelmente maior, porque esse tema está preocupando as pessoas por mais tempo e mais intensamente do que a invasão ao Iraque."

O comentário, um dos mais fortes feitos por um político alemão de importância desde o vazamento do programa de espionagem norte-americano, se dá um dia antes de um esperado anúncio do presidente Barack Obama sobre reformas na NSA.

A Reuters noticiou na semana passada que o presidente Obama não deve anunciar grandes mudanças no programa que coletou informações sobre ligações telefônicas dos norte-americanos e fez escutas secretas de líderes estrangeiros, como Merkel, que em 2011 recebeu de Obama a mais importante honra civil norte-americana.

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