Relatório aumentará pressão sobre polícia em caso Jean Charles

Jornais britânicos afirmam que comandante será responsabilizada pela ordem que matou o brasileiro em 2005

BBC Brasil,

05 de novembro de 2007 | 11h06

Vários dos principais jornais britânicos nesta segunda-feira, 5, alertam para o conteúdo de um relatório independente sobre as circunstâncias da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes que será divulgado na quinta-feira e que deverá aumentar a pressão para que membros do alto escalão da polícia de Londres renunciem.   Segundo o jornal The Guardian, o relatório da Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), deverá dizer que "a comandante Cressida Dick foi responsável por uma ordem para parar (Jean Charles de) Menezes, em sua jornada, um comando que não foi suficientemente claro".   Cressida Dick comandou a operação policial que resultou na morte de Jean Charles de Menezes em julho de 2005.   Outro jornal britânico, o The Independent, diz que o relatório, concluído há 18 meses mas que será tornado público somente agora, "teria recomendado que a promotoria pública considerasse a possibilidade de formular uma acusação de negligência contra ela".   O relatório, que vinha sendo mantido em sigilo, já foi analisado pela promotoria pública no passado, que decidiu não processar indivíduos da polícia pela morte de Jean Charles de Menezes. A promotoria decidiu julgar a corporação para saber se houve violação de regras britânicas de saúde e segurança do público na operação.   O julgamento, concluído semana passada, considerou a Polícia Metropolitana de Londres culpada de erros "catastróficos" que levaram à morte do brasileiro. A instituição foi condenada a pagar o equivalente a mais de US$ 1,1 milhão em multa e custas do processo.   Cressida Dick disse à corte que ao dar sua ordem "achou que Menezes seria detido do lado de fora da estação do metrô", diz o Guardian.   "Ela disse que não deu uma ordem para atirar. Mas a equipe de atiradores da polícia, que levou quase cinco horas para chegar ao local, não estava posicionada. Eles alcançaram Menezes só depois que ele entrou no trem. Então abriram fogo", afirma o artigo do jornal britânico.   Comandante sob pressão   A divulgação do relatório na quinta-feira deve levar ao aumento da pressão para a renúncia do próprio chefe da polícia, Ian Blair, de acordo com o Guardian e outro jornal britânico, o The Times.   Segundo o Times, o relatório sobre a morte a tiros do brasileiro dentro de um trem na plataforma da estação do metrô de Stockwell, em Londres, no dia 22 de julho de 2005, "identificou 15 áreas em que a polícia falhou".   O documento "também trará em detalhes pela primeira vez o depoimento de testemunhas dos últimos segundos da vida do brasileiro inocente suspeito erroneamente de ser um militante suicida", disse o Times.   "Os investigadores conversaram com passageiros que estavam no mesmo vagão de Menezes quando policiais armados avançaram sobre ele e atiraram. Eles conversaram também com os oficiais que deram os tiros e recolheram evidências de dois oficiais em posição mais elevada."   "O relatório do IPCC dirá que a decisão de Ian (Blair) de tentar interromper sua investigação independente sobre a operação criou o risco de abalar a confiança pública em sua força", disse o Guardian.   "O chefe da Polícia Metropolitana de Londres ordenou que seus oficiais negassem aos investigadores do IPCC acesso à cena, e só recuou depois que o Ministério do Interior se recusou a apoiá-lo", disse uma reportagem na edição de sábado do Guardian.

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