Relatório britânico defende revisão dos biocombustíveis

Um relatório do governobritânico, a ser divulgado na segunda-feira, sugere um examemais atento da vinculação entre a demanda por biocombustíveis eo aumento global dos preços dos alimentos. Isso pode contrariar a meta da União Européia de incorporaraté 2020 uma quota de 10 por cento de fontes renováveis noscombustíveis usados para transportes, algo que vem sofrendocrescentes críticas. Derivados de produtos agrícolas, como cana, milho e trigo,os biocombustíveis são vistos como uma forma de substituir oscombustíveis fósseis e reduzir as emissões de gases do efeitoestufa. Mas críticos dizem que usar terras aráveis para produzi-losprovoca uma pressão sobre os preços alimentícios e em algunscasos contribui com a destruição de florestas. Também na segunda-feira, o governo britânico divulgaráoutro documento, chamado "revisão Gallagher", que avalia osefeitos ambientais dos biocombustíveis e o impacto da meta para2020 sobre os preços alimentícios, segundo um resumo divulgadopreviamente. Em abril, o primeiro-ministro Gordon Brown disse queLondres defenderia mudanças nas metas européias caso aavaliação demonstrasse que a produção de biocombustíveis estápressionando os preços alimentícios e afetando o meio ambiente. As autoridades energéticas da União Européia tambémrecuaram das polêmicas metas para 2020 ao se reunirem no sábadoem Paris. Argumentaram que há outras fontes renováveis decombustíveis para transportes além dos biocombustíveis. De acordo com um documento confidencial do Banco Mundial,citado na semana passada pelo jornal britânico The Guardian, ocultivo de lavouras para a produção de biocombustíveiscontribuiu para um aumento de até 75 por cento nos preçosglobais de alimentos. "Há tantas evidências sobre os impactos negativos dosbiocombustíveis que o estabelecimento de metas compulsóriasparece ser exorbitante", disse Phil Bloomer, da ONG Oxfam. "Entretanto, foi o que o Reino Unido fez, transmitindodessa maneira um sinal aos mercados e ao setor privado de que ademanda chegou para ficar, e mantendo os preços [alimentícios]elevados. A UE não deve seguir o exemplo." Atualmente, a Grã-Bretanha exige dos distribuidores decombustíveis que até 2010 incluam 10 por cento de fontesrenováveis em seus produtos. Brown defende há meses uma ação global contra os preços dosalimentos, e em abril apresentou algumas propostas numa cartaao seu colega japonês, Yasuo Fukuda, anfitrião da cúpula do G8nesta semana. Como parte do seu plano, Brown defende que o G8 estabeleçanovos parâmetros para a produção sustentável debiocombustíveis, segundo resumo apresentado pelo governo. Ele também sugere a criação de uma nova comissão científica-- espelhada no grupo climático da ONU que recebeu o Nobel daPaz em 2007 -- para monitorar a oferta mundial de alimentos ealertar para a iminência de crises.

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