Relatório confirma falhas graves no caso Jean Charles

Oficial da Scotland Yard teria escondido a informação de confusão na morte de brasileiro

Efe e Associated Press,

02 de agosto de 2007 | 09h17

A Scotland Yard cometeu "graves deficiências" no caso da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, baleado em 22 de julho de 2005 por agentes que o confundiram com um terrorista, concluiu uma investigação divulgada nesta quinta-feira, 2, em Londres. Veja também: Chefe de polícia é inocentado Família critica investigação da Scotland Yard Scotland Yard se desculpa or "erros" Cronologia do caso Jean Charles de Menezes   Segundo reportagem da Associated Press, um oficial da polícia britânica já sabia depois de algumas horas que agentes à paisana haviam assassinado o brasileiro depois de o confundirem com um terrorista, mas impediu deliberadamente que a informação chegasse a seus superiores e enganou o público.   Jean Charles, de 27 anos, foi baleado sete vezes à queima-roupa no interior de um trem do metrô de Londres por agentes à paisana em busca de suspeitos de participação nos ataques extremistas contra o sistema de transporte público de Londres em julho de 2005.   O relatório elaborado por uma comissão independente informa que, na tarde 23 de julho de 2005, o subcomissário Andy Hayman, diretor da unidade de combate ao terrorismo da Polícia Metropolitana de Londres, disse a jornalistas que Jean Charles não tinha ligação com as tentativas de ataque do dia anterior.   Entretanto, ele impediu deliberadamente que a informação chegasse ao comissário da Polícia Metropolitana de Londres, Ian Blair, e a outros funcionários do governo, descobriram os investigadores.   Na última quarta-feira, Hayman foi acusado como o principal responsável pela morte do brasileiro, segundo informou uma reportagem do jornal The Guardian.   Segundo o relatório, o subcomissário deveria ter alertado Blair sobre as versões, surgidas logo após a morte, de que Jean Charles não estava ligado às tentativas de atentados ocorridas na véspera. O comissário só foi informado de que o brasileiro era inocente no dia seguinte.   Desculpas   A polícia se desculpou nesta quinta pelos "erros de comunicação interna e externa" cometidos ao dar informações errôneas sobre a morte do brasileiro. Em comunicado, a Scotland Yard ressaltou que eram "infundadas" as queixas da família do brasileiro, que tinha acusado a corporação de mentir sobre o caso, com exceção do comportamento do subcomissário Andy Hayman.   Na nota, a Polícia afirma que "o fato de que as queixas sejam infundadas não significa que a Polícia Metropolitana não poderia ter agido melhor". O corpo policial ressalta sem rodeios que a morte do brasileiro foi "uma tragédia absoluta" e voltou a pedir desculpas à família da vítima por causa do erro.   Horas depois do tiroteio, Ian Blair disse que o incidente estava "diretamente relacionado" às operações antiterroristas em torno dos atentado fracassados.   A morte de Jean Charles ocorreu duas semanas depois dos atentados suicidas que deixaram 52 mortos em Londres, e um dia após a tentativa de novos ataques contra o sistema de transporte londrino.   Na época, a polícia afirmou que Jean Charles levantou suspeitas por usar casaco num dia quente. Além disso, segundo a versão policial, ele teria se recusado a cumprir uma ordem para não entrar na estação, pulando a catraca e correndo para alcançar o trem.   Um documentário da emissora britânica BBC feito meses depois contestou a versão oficial, mostrando imagens de Jean Charles entrando calmamente na estação. 

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