Relatório médico diz que Chirac não pode enfrentar julgamento

Advogados do ex-presidente francês Jacques Chirac disseram neste sábado ter apresentado esta semana relatório médico que afirma que ele não está mentalmente apto a enfrentar seu julgamento por mau uso de recursos públicos.

THIERRY LEVEQUE, REUTERS

03 Setembro 2011 | 10h49

O relatório levanta a possibilidade de Chirac, cujos problemas legais têm mobilizado a França desde que ele perdeu a imunidade presidencial em 2007, poder evitar o julgamento envolvendo acusações de quando era prefeito de Paris no início dos anos 1990.

O juiz Dominique Pauthe decidirá como responder ao relatório médico quando o julgamento for aberto na segunda-feira. Entre suas opções estão um pedido por uma nova avaliação médica e a suspensão do caso.

Os advogados de Chirac, Jean Veil e Georges Kiejamn, disseram em comunicado que o ex-presidente pode não estar competente para participar das audiências.

"O presidente Chirac indica à corte seu desejo de ver o julgamento ir à frente e seu desejo de assumir suas responsabilidades, mesmo que não esteja inteiramente em condições de participar das audiências", afirmou o comunicado.

O relatório, solicitado por sua mulher Bernardette, e preparado por um conhecido neurologista, diz que Chirac está em um estado de vulnerabilidade que o torna incapaz de responder perguntas sobre o seu passado, informou o jornal Le Monde em seu site.

Chirac, 78, parecia fisicamente bem quando foi visto em público e fotografado tomando uma pina colada no balneário de Saint Tropez. Mas seu estado mental é foco de intensa especulação. A mídia francesa tem reportado o que descrevem como uma deterioração em suas reações, agilidade verbal e memória depois que ele sofreu um pequeno derrame há vários anos.

Presidente da França entre 1995 e 2007, Chirac não era esperado pessoalmente na segunda-feira na primeira audiência de seu julgamento. Mas o advogado Jean Veil havia dito na semana passada que Chirac estaria no tribunal nos momentos chaves do julgamento, previsto para transcorrer até o dia 23 de setembro.

Se o julgamento avançar, será a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que um chefe de Estado comparece a um tribunal para responder a acusações criminais, o que representará uma vitória para o judiciário francês após anos de disputas.

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