Relatório pode complicar chefe da polícia no caso Jean Charles

Documento deve pressionar ainda mais para que o comissário-chefe da Scotland Yard, Ian Blair, renuncie

Efe,

08 de novembro de 2007 | 07h30

A Comissão Independente de Queixas à Polícia (IPCC, sigla em inglês) publica nesta quinta-feira, 8, seu relatório sobre o caso do brasileiro Jean Charles de Menezes, que no dia 22 de julho de 2005 foi morto a tiros por agentes que o confundiram com um terrorista suicida. A publicação do documento foi adiada até o fim do julgamento da Scotland Yard por violar a Lei de Segurança e Higiene no Trabalho, que obriga a polícia a velar pela segurança. Na semana passada, um júri do tribunal de Old Bailey, em Londres, declarou a corporação culpada de violar a lei. O IPCC, que ouviu testemunhas, deverá relatar sérios problemas de comunicação entre os comandantes da polícia na manhã de 22 de julho de 2005, quando Jean Charles foi morto na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres. O relatório foi utilizado no processo judicial. Mas o texto completo deverá acrescentar detalhes sobre o caso. As conclusões do IPCC sobre o incidente podem aumentar a pressão sobre o comissário-chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Ian Blair, que se recusa a apresentar sua renúncia. Ian Blair recebeu na quarta-feira um voto de censura de membros da Assembléia da Prefeitura da capital britânica. Segundo a BBC, no texto da moção de desconfiança, a Assembléia pede que a polícia de Londres "dê os passos necessários para pôr um fim ao debate sobre a posição do comissário de polícia da metrópole, que é em detrimento do policiamento em Londres, e encerre sua indicação (ao cargo), se necessário obtendo o consentimento do ministro do Interior". No início do ano, a Promotoria britânica decidiu não processar nenhum agente pela morte do eletricista brasileiro. Em vez disso, optou por acusar toda a corporação policial por violar a Lei de Segurança e Higiene no Trabalho, de 1974. O brasileiro, de 27 anos, levou oito tiros (sete na cabeça e um no ombro), ao ser confundido com Hussain Osman, um dos terroristas dos atentados fracassados de 21 de julho de 2005 contra a rede de transporte de Londres.

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