Relatório revela 13 suicídios de vítimas de abusos por religiosos belgas

Documento mostra que entre os anos 60 e 80, 475 casos de pedofilia foram registrados no país

Efe

10 de setembro de 2010 | 11h52

BRUXELAS - Um relatório da comissão sobre denúncias de abusos sexuais por parte de religiosos na Bélgica revela que 13 das vítimas suicidaram-se após serem molestadas. As conclusões do documento foram apresentadas nesta sexta-feira, 10.

 

Apresentado pelo psiquiatra Peter Adriaenssens, o relatório detalha que a comissão responsável pela investigação dos abusos cometidos na Bélgica da década de 60 até meados da de 80 recebeu ao menos 475 denúncias de pedofilia. Na apresentação do documento, Adriaenssens denunciou as "pressões" e a lei do silêncio que imperou durante décadas no seio da igreja belga sobre o assunto.

 

Ao longo de 200 páginas são divulgados os testemunhos de centenas de antigos alunos de instituições educativas da igreja que sofreram abusos de religiosos, sobretudo nos anos 60 e 70. Um das partes mais assombrosas é a dos suicídios das vítimas dos abusos, já que foram confirmados 13 casos, além de outras seis tentativas. Segundo explicou em entrevista coletiva o ex-presidente da comissão, "quanto aos suicídios, a realidade é ainda pior do que se pensava".

 

Adriaenssens, que disse que o trabalho da comissão teve como base os princípios de "verdade" e "reconciliação", destacou que a maioria dessas crianças, hoje adultos por volta dos 40 anos, ficou traumatizada pelos episódios.

 

Os testemunhos, que respeitaram o pedido de anonimato no relatório, falam em violações por via anal e oral, além de masturbações. Na maioria dos casos, as crianças tinham entre 12 e 15 anos durante os abusos. A comissão foi criada em 2000, por parte da Conferência Episcopal.

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