República Checa erra se aceitar radar dos EUA, diz Rússia

General russo quer que decisão sobre escudo antimíssil seja adiada até troca de presidente americano

REUTERS

21 de agosto de 2007 | 09h24

O principal general russo disse nesta terça-feira, 21, que a República Checa cometerá "um grande erro" caso aceite a instalação de um novo sistema norte-americano de proteção contra mísseis em seu território. Ele pediu que Praga adie sua decisão até que os Estados Unidos elejam um novo presidente.A República Checa está analisando a instalação de uma estação de radares que seria parte do novo escudo antimísseis dos EUA, criado para interceptar e destruir mísseis de "Estados párias", como Irã e Coréia do Norte, mas que a Rússia vê como uma ameaça à sua própria estabilidade."Dizemos que será um grande erro do governo checo colocar este radar em território checo", disse Yuri Baluyevsky, chefe das Forças Armadas russas, a jornalistas após encontro com o ministro checo da Defesa, Martin Bartak."Uma decisão será tomada pelo lado checo apenas após a avaliação de todas as condições, técnicas e outras", disse Baluyevsky. "Eu e meus colegas russos simplesmente pedimos que esse processo continue até outubro/novembro de 2008 (quando ocorrem as eleições presidenciais nos EUA), e acho que todos imaginam por quê."Ele acrescentou: "Não excluo que um novo governo nos EUA vá reavaliar as decisões do atual governo a respeito da defesa antimísseis".Na prática, a instalação do escudo antimísseis significa a entrada efetiva da Otan em países que no passado fizeram parte do Pacto de Varsóvia - ou seja, implica que a aliança militar ocidental está levando seu poderio bélico para mais perto da Rússia.Bartak salientou que o governo checo ainda não tomou uma decisão. "O mais importante que posso dizer é que ainda não demos a palavra final a respeito disso e não daremos até que exploremos todas as avenidas."Baluyevsky fez seus comentários no 39º aniversário da invasão das forças do Pacto de Varsóvia na então Checoslováquia, para esmagar a Primavera de Praga, movimento reformista dentro do regime comunista. Os dois países decidiram manter as consultas no formato "2+2", ou seja, entre os ministros de Exteriores e da Defesa dos dois países - no caso dos EUA, a secretária de Estado e o chefe do Pentágono.A Rússia deseja que os EUA congelem seus planos durante as consultas, às quais gostaria que os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) aderissem.As propostas russas de compartilhar a estação de radar de Gabalá, situada perto da fronteira do Irã, e a de Armavir, próxima ao Cáucaso, não são defendidas pela Administração americana.O presidente russo, Vladimir Putin, que advertiu que os planos de Washington não ficariam sem resposta, suspendeu em julho a aplicação do tratado de Forças e Armas Convencionais na Europa, considerado fundamental para a segurança no continente.O Kremlin sustenta que a instalação de um radar na República Checa e de mísseis interceptores na Polônia seria uma "ameaça direta" para sua segurança.O Pentágono insiste em que o escudo está destinado a defender os territórios dos EUA e de seus aliados diante de possíveis ataques com mísseis balísticos por parte de países como o Irã e Coréia do Norte ou organizações terroristas.

Tudo o que sabemos sobre:
RUSSIARADARES

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.