Resgate dos reféns pela Colômbia ofusca atuação de Sarkozy

França admite que não teve nenhum papel na libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt

Associated Press,

03 de julho de 2008 | 15h34

Como parte do meticuloso plano de resgate de Ingrid Betancourt e outros 14 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Bogotá deixou uma pessoa muito importante de fora: o presidente francês Nicolas Sarkozy. O fato impressiona, uma vez que a colombiana também tem nacionalidade francesa, e Paris mantinha uma pressão diplomática para tentar resgatá-la das mãos da guerrilha.   Além disso, quando a notícia da aguardada libertação de Ingrid chegou em Paris na noite de quarta-feira, Sarkozy não estava em seu escritório - segundo seu gabinete, o líder francês estava na casa de sua mulher. Após o anúncio, correu para o Palácio do Eliseu. A França soube da libertação apenas 15 minutos antes da imprensa colombiana dar a notícia, informou o auxiliar mais próximo de Sarkozy, Claude Gueant, chefe de gabinete do Eliseu.     Veja também: EUA admitem conhecer plano para libertar reféns das Farc Após 6 anos, Ingrid reencontra os filhos em Bogotá Uribe quer libertação de reféns para negociar  Chávez reitera apelo para que Farc deponham armas Ingrid Betancourt chega à França nesta sexta O drama de Ingrid Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região    Cronologia do seqüestro de Ingrid Betancourt Leia tudo o que foi publicado sobre o caso Ingrid Betancourt O seqüestro de Ingrid Betancourt    Gueant explicou na televisão francesa que a França não teve um papel no que Sarkozy chamou de "resgate extremamente brilhante" das Forças Armadas da Colômbia. Mas Sarkozy é mestre nas oportunidades de relações públicas, e esse fato era muito grande para ele perder.   Ao lado dos filhos de Ingrid, Melanie e Lorenzo, e da irmã da refém, Astrid, o líder francês rapidamente fez um discurso transmitido pela televisão francesa.   Para Sarkozy, o pronunciamento não poderia ser melhor: cheias de alegria, as crianças e a própria Ingrid, falando da Colômbia, agradeceram ao presidente francês por seus esforços, mesmo que ele tenha se mantido longe dos holofotes na reta final.   De uma forma não usual, até seus oponentes políticos tiraram o chapéu para os implacáveis esforços diplomáticos do presidente, após ele prometer em sua eleição, há um ano, que a libertação de Ingrid era sua prioridade.   A melhora na imagem de Sarkozy pelo resgate de Ingrid aparece após um duro primeiro ano no poder - seu governo despencou nas pesquisas de opinião e falhou em registrar cenas como a de quarta-feira a noite.   Gueant disse que espera que Ingrid viaje à França na tarde de sexta-feira, em um avião que Sarkozy enviou à Colômbia com os filhos da ex-refém a bordo. Sua chegada irá render mais boas fotos: o gabinete de Sarkozy disse que o presidente francês irá presidir uma cerimônia de boas-vindas para Ingrid no aeroporto.

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