Resolução da ONU deve pedir que Rússia saia da Geórgia

Documento dos países ocidentais pede ainda recuo de Tbilisi; Moscou não apoiará o texto, diz embaixador russo

Agências internacionais,

19 de agosto de 2008 | 16h45

Um rascunho dos países ocidentais de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU divulgado nesta terça-feira, 19, pede que a Rússia cumpra o plano de cessar-fogo com a Geórgia e retire suas tropas imediatamente para as posições anteriores ao conflito. O esboço do texto, que deve ser considerado pelo Conselho mais tarde, também pede o retorno das forças georgianas para suas bases.   Veja também: Rússia desqualifica Otan; retirada acaba na 6.ª Geórgia e Rússia fazem 1ª troca de prisioneiros Tropas russas mantêm ataque na Geórgia  Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia   O documento reafirma o compromisso dos países membros da ONU "com a soberania, independência e integralidade territorial da Geórgia, dentro de suas fronteiras reconhecidas internacionalmente."   O novo texto substitui outro que endossou a trégua promovida pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, assinada pela Rússia e Geórgia. A reunião a portas fechadas foi seguida de um encontro no qual o Conselho foi informado da situação no Cáucaso por autoridades da ONU.   Os membros do Conselho de Segurança mantiveram negociações nos últimos dias para tentar chegar a uma resolução que inicie um diálogo internacional que permita encontrar uma solução pacífica para a disputa sobre as duas regiões separatistas de Ossétia do Sul e Abkházia. A Rússia se mostra disposta a uma solução dialogada para o conflito, mas considera que um dos elementos das conversas deve ser a possibilidade de que as duas províncias deixem de fazer parte da Geórgia.   O presidente russo Dmitri Medvedev disse nesta terça-feira que Moscou busca uma resolução para ser incluída no texto do plano de paz. O Kremlin informou que o Medvedev conversou com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre uma resolução para Ossétia do Sul.   Alguns tanques russos deixaram Gori, cidade-chave da Geórgia, nesta terça-feira, mas a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse que estava congelando as relações com Moscou até que todas as forças russas saiam do território georgiano. O governo russo informou que suas tropas voltarão para posições anteriores ao conflito até sexta-feira, 22.   Resposta russa   O embaixador da Rússia na ONU afirmou que Moscou não pode apoiar o projeto. Vitaly Churkin disse que a resolução do Conselho deve incorporar o plano de paz de seis pontos proposto por Sarkozy. Uma vez que o esboço da resolução não endossa o acordo, "a Federação Russa não o apoiará", declarou.   "Hoje, neste recinto, é feita mais uma nova tentativa de virar as coisas e retratar o agressor como a vítima," disse Churkin. "Existe um manifesto uso da propaganda, em detrimento de um trabalho político sério e importante que precisa ser feito no Conselho de Segurança," concluiu o embaixador russo.   A Geórgia alega que uma resolução do Conselho é essencial para acabar de uma vez com o conflito."Infelizmente, a situação não mudou na Geórgia apesar do acordo de cessar-fogo assinado há alguns dias," disse o embaixador da Geórgia na ONU, Irakli Alasania, ao Conselho. "A Geórgia permanece ocupada por forças militares russas, que estão determinadas a devastar meu pais", acrescentou.   (Matéria atualizada às 21h40)  

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