Resolução de reunião sobre racismo é aprovada por consenso

Nenhum país na conferência da ONU apresentou objeções; Ahmadinejad é acusado de buscar fins políticos

Efe e Reuters,

21 de abril de 2009 | 11h30

O documento da Conferência Mundial sobre o Racismo da ONU foi aprovado nesta terça-feira, 21, por consenso e será adotado oficialmente na assembleia plenária nas próximas horas. O texto será oficializado da forma como ficou estabelecido na semana passada após duras negociações, dado que nenhum país presente apresentou objeções ao texto. A rápida aprovação do documento - um dia após o início da Conferência, que só deve terminar na sexta-feira - é atribuída ao temor de muitos países de que os boicotes e a politização provocassem novas deserções de países e o consequente fracasso do fórum.

 

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O texto foi negociado incessantemente na semana passada para que se chegasse a um texto de compromisso, no qual os países islâmicos cederam em todas suas exigências aos ocidentais e a delegação palestina aceitou eliminar um parágrafo sobre a recente ofensiva israelense em Gaza. O documento também inclui uma referência ao Holocausto.

 

Nove países boicotam desde o início a conferência, entre eles Estados Unidos e Israel e quatro da União Europeia (Polônia, Alemanha, Holanda e Itália), alegando que o encontro podia se transformar em um fórum antissemita. A eles se uniu na segunda-feira à noite a República Checa - na Presidência rotativa da UE - que abandonou o processo em protesto contra o discurso do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que na segunda acusou Israel de ser "o regime racista mais cruel e repressivo" devido ao tratamento que dá aos palestinos.

 

POLÊMICA IRANIANA

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, acusou nesta terça-feira Ahmadinejad de ter usado mal a conferência. "É muito lamentável que a conferência tenha sido mal usada pelo presidente iraniano para fins políticos", disse Ban durante uma visita oficial à Malta. Os comentários do iraniano geraram a saída de cerca de 20 delegações do Ocidente e provocaram críticas de grupos de direitos e governos ocidentais. Ban também expressou tristeza pelo fato que alguns países terem boicotado a conferência.

 

Estados Unidos e Israel lideraram os países que não participaram do evento devido a temores de que o encontro poderia se transformar em um fórum para ataques contra o Estado judeu. "Antes do discurso, tive um longo encontro bilateral com o presidente Ahmadinejad e pedi que ele desse uma contribuição balanceada e construtiva à conferência, porque ele era o único chefe de Estado presente", disse Ban.

 

Ahmadinejad foi convidado a discursar primeiro porque foi o único líder de Estado presente no encontro, embora convites tenham sido enviados a todos os presidentes, acrescentou o secretário-geral da ONU.  As nações europeias ausentes, junto aos EUA, Israel, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, consideraram que o encontro se transformaria em um fórum antissemita, por isso resolveram boicotá-lo.

 

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