Ressentimento marca 1ª audiência sobre naufrágio do Concórdia

Um advogado das famílias das 32 vítimas fatais do naufrágio do navio Costa Concórdia disse na segunda-feira que todas as mortes no acidente poderiam ter sido evitadas.

SILVIA OGNIBENE, Reuters

15 de outubro de 2012 | 11h01

A declaração foi feita durante a primeira audiência judicial destinada a reconstituir o acidente, o que incluirá uma análise das gravações registradas na "caixa-preta" do navio, que naufragou em janeiro perto de uma ilha italiana.

Com base na investigação, o capitão Francesco Schettino, que estará presente nas audiências preliminares, poderá ser julgado criminalmente, provavelmente no ano que vem.

Schettino é suspeito de homicídio culposo e negligência, por ter aproximado demais o navio da ilha de Giglio, a fim de saudar seus moradores. Ele é acusado também de ter abandonado o barco antes da conclusão das operações de resgate dos 4.200 passageiros e tripulantes.

Pelo menos 30 pessoas morreram, e outros dois corpos nunca foram encontrados. O navio ainda não foi retirado das pedras onde permanece, semissubmerso.

Schettino admitiu ter cometido erros, mas acusou a empresa Costa Cruzeiros de lidar mal com o incidente. Nesta semana, ele anunciou que vai processar a companhia, subsidiária da Carnival Corp., por entender que sua demissão foi sem justa causa.

O comandante do navio foi ridicularizado dentro e fora da Itália por seu comportamento durante o acidente, mas advogados das famílias das vítimas disseram que é importante olhar além dele, expondo procedimentos inadequados da empresa operadora.

"A razão pela qual essas pessoas morreram não é o capitão Schettino, a razão pela qual essas pessoas morreram é a corporação, a negligência das suas práticas e procedimentos de segurança. Não havia razão para que ninguém morresse", disse o advogado Peter Ronai.

Schettino não se pronunciou durante a audiência matinal, mas seus advogados disseram que ele aceitou a culpa pelo incidente e deseja que a verdade completa seja estabelecida.

"O capitão está fazendo o que é certo, ele está conduzindo sua defesa", disse seu advogado, Francesco Pepe, a jornalistas em frente ao teatro da localidade de Grosseto, onde a audiência foi realizada, a portas fechadas.

"É do interesse dele que a verdade aflore, e é uma questão de respeito, não só pelos seus direitos, mas também pelos direitos dos sobreviventes."

Oito outros funcionários e executivos da Costa Cruzeiros estão sendo investigados por seu envolvimento no acidente.

(Reportagem de Hanna Rantala e Antonio Denti)

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