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Resultado de votação regional é revés para Merkel na Alemanha

A 4 semanas da eleição geral, partido da chanceler perde em Estados e governo de centro-direita fica ameaçado

31 de agosto de 2009 | 08h28

A menos de quatro semanas das eleições nacionais, os partidários da chanceler alemã, Angela Merkel, se encontraram nesta segunda-feira, 31, para decidir a nova estratégia que adotarão depois do revés da legenda no pleito regional deste fim de semana. A legenda de Merkel perdeu a maioria em dois dos três Estados que participaram da votação.

 

O conservador partido Democrata Cristão perdeu a maioria nos Estados de Sarre e Turíngia por margens maiores do que a esperada no domingo. A performance foi melhor na Saxônia, onde os conservadores podem descartar a "grande coalização" esquerda-direita e optar por uma de maioria de centro-direita. É exatamente isso que Merkel espera fazer no mês que vem em escala nacional.

 

Merkel, que evitou discutir temas controversos durante a campanha e ainda não falou sobre suas promessas para um próximo governo, ouviu de líderes conservadores que o resultado das eleições regionais foram um alerta para que seu partido trabalhe unido para garantir uma vitória. Nesta segunda-feira, a chanceler afirmou que ainda acredita que formará um governo de centro-direita após o pleito do dia 27 de setembro, apesar do resultado deste fim de semana. "Nós temos possibilidade de vencer a eleição federal e então, como o grande partido de centro, formar um governo com os Democratas Livres", um partido de oposição pró-mercado, disse ela nesta segunda-feira durante uma coletiva de imprensa.

 

As expectativas do governo em relação à votação regional - realizada nos Estados de Sarre, Turíngia e Saxônia - eram grandes. Merkel e seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), têm uma vantagem de 12 a 15 pontos porcentuais sobre seus rivais de centro-esquerda nas pesquisas de intenção de voto para as eleições parlamentares. Segundo uma sondagem divulgada no sábado, 87% dos alemães acreditam que Merkel ganhará um segundo mandato. 

 

Esperava-se que as eleições regionais refletissem essa vantagem, mas não foi o que ocorreu. Em Sarre, na fronteira com a França, e na Turíngia, no leste ex-comunista do país, os líderes democratas cristãos, que estiveram no poder por mais de dez anos, viram cair seu apoio em mais de 10 pontos porcentuais em comparação a 2004, perdendo a maioria absoluta que tinham nesses Estados até então.

 

Os opositores de centro-esquerda da chanceler, que segundo as pesquisas perderão as eleições nacionais por margens de dois dígitos, celebraram os resultados do final de semana como um sinal de que ainda podem frustrar as expectativas de Merkel. Ainda assim, eles não conseguiram atingir a chanceler, que tem feito uma campanha contida, um grande contraste na comparação com sua campanha de quatro anos atrás, quando defendeu uma profunda reforma econômica e quase perdeu a eleição

 

É verdade que também há sinais positivos para Merkel nos resultados das eleições regionais - como a vitória na Saxônia e o fato de o Partido Social-Democrata não ter avançado tanto. Mas os riscos a sua liderança aumentaram. Segundo analistas, qualquer queda em sua popularidade pode pôr em perigo as esperanças da chanceler de conseguir formar um governo de centro-direita no próximo mês com os democratas livres e obrigá-la a criar uma coalizão mais ampla com grupos opositores. Isso a impediria de impulsionar pontos-chave de sua agenda política como o corte de impostos.

 

Merkel disse que não vai mudar sua plataforma política. Ela deixou claro nesta segunda-feira que vai buscar uma coalizão de centro-direita com os Democratas Livres como uma forma mais segura para promover a recuperação economia da Alemanha. Esta é "a variável que vai retirar a Alemanha da crise mais rapidamente, promover mais crescimento e assegurar e criar mais empregos", disse ela. O partido da chanceler promete mais cortes de impostos num esforço para estimular a economia, embora não tenha especificado quando isso será feito.

 

Merkel disse que a derrota do domingo foi semelhante à eleição de 2004, quanto seu partido fazia oposição a um governo muito impopular de centro-esquerda. Ela afirmou que os resultados mostraram a necessidade de "condições claras e estáveis" em âmbito nacional. Um resultado similar nas eleições nacionais de 2005 fez com que Merkel criasse a "grande coalizão". Segundo a chanceler, os líder do partido concordaram que "não temos razões para mudar nossa estratégia".

 

"Eu não vou me tornar mais agressiva, vou apresentar argumentos", disse ela. "E eu não acho que o volume de coisas que um candidato fala tenha qualquer efeito imediato no convencimento dos eleitores".

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