Albert Olive/Efe
Albert Olive/Efe

Resultado eleitoral não atenua pressão sobre a Espanha

Venda de títulos promovida pelo governo conservador não tranquiliza investidores no país

PAUL DAY E SONYA DOWSETT, REUTERS

22 de novembro de 2011 | 17h27

MADRI - A eleição de um novo governo conservador não foi suficiente para atenuar a pressão dos mercados sobre a Espanha, e nesta terça-feira, 22, o Tesouro foi obrigado a pagar os maiores juros em 14 anos na venda de títulos públicos.

 

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O leilão de papéis de curto prazo era visto como o primeiro teste para a capacidade do primeiro-ministro-eleito, Mariano Rajoy, de tranquilizar os investidores, depois de o seu Partido Popular (PP) conquistar no domingo a mais expressiva vitória eleitoral no país em 30 anos.

 

Mas o rendimento médio dos títulos com vencimento em três meses mais do que duplicou em um mês, passando de 2,3% para 5%. Os juros pagos no papel de seis meses também dispararam para mais de 5% - em vez dos 3,3% praticados em outubro.

A Espanha está agora no centro da crise do euro, que se agrava a cada dia, e o resultado do leilão aumentou os temores de contágio. As bolsas europeias registraram queda pelo quarto pregão consecutivo, e os juros nos papéis italianos de curto prazo também tiveram alta.

O fracasso do leilão também significa que Rajoy será mais pressionado a apresentar detalhes dos seus planos econômicos - algo que ele se recusou a fazer na noite de segunda-feira, para frustração dos mercados. O novo governo ainda levará quase um mês para tomar posse, por causa de prazos previstos na Constituição. "Rajoy precisa se apressar com as medidas. O mercado não lhe dará muito tempo", disse um influente executivo bancário espanhol, pedindo anonimato.

A agência de classificação de crédito Fitch disse que o futuro governo deveria apresentar já os termos gerais das medidas de austeridade que pretende implantar para cortar o déficit. "Ele deve surpreender de forma positiva os investidores com um programa ambicioso e radical de reformas fiscais e estruturais", disse a agência.

A plataforma eleitoral do PP era escassa em detalhes, e Rajoy preferiu durante a campanha salientar os erros do atual governo do Partido Socialista, que levou a maior surra eleitoral da sua história.

O desemprego em torno de 20% - maior índice da zona do euro - contribuiu de forma decisiva para a vitória da oposição. Mas, independentemente do que o governo fizer, analistas dizem que a crise na zona do euro já se tornou sistêmica, e que sua solução não cabe mais a países individuais.

Itália e Espanha - respectivamente a terceira e quarta maiores economias da união monetária - estão tendo de se financiar com juros próximos a 7%, nível que levou Grécia e Portugal a pedir socorro internacional.

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