Rice anuncia pacote de US$ 1 bi para reconstruir a Geórgia

Secretária de Estado dos EUA afirma que ajuda americana não contará com apoio militar ao governo georgiano

Agências internacionais,

03 de setembro de 2008 | 15h21

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira, 3, a liberação de pelo menos US$ 1 bilhão para auxiliar a Geórgia depois da incursão russa. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, anunciou o pacote para ajudar na reconstrução da infra-estrutura e da economia do país no mesmo dia em que o vice-presidente Dick Cheney desembarcou iniciou seu giro pela região em sinal de apoio à Geórgia e outros países vizinhos da Rússia.  Veja também:Cheney chama incursão russa na Geórgia de 'invasão'Entenda o conflito separatista na Geórgia  "Estamos determinados em ajudar a Geórgia para se manter durante esse tempo difícil", afirmou Rice durante entrevista coletiva. Segundo a secretária, a verba é uma contribuição significante do longo comprometimento dos EUA com a Geórgia. O pacote não inclui auxilio militar, afirmou Rice, afirmando que ainda não é hora para pensar em assistência militar para o país. A ajuda financeira, assim como a visita de Cheney, certamente ampliarão as tensões com a Rússia, cujos líderes acusam os EUA de incentivarem o conflito da Geórgia contra as duas províncias separatistas pró-Moscou, fornecendo armas e treinando militares - o Exército georgiano recebeu treinamento americano para integrar as forças da coalizão americana no Iraque. O presidente russo, Dmitri Medvedev, e o ex-presidente e primeiro-ministro Vladimir Putin afirmaram que entre os suprimentos entregues pela Marinha e Força Aérea americana foram uma desculpa para entregar novas armas. Oficiais de Washington negam a acusação. Rice afirmou que a primeira parcela de US$ 570 milhões será entregue até o final de 2008 e o restante pela novo governo americano em janeiro de 2009. A secretária afirmou que está confiante de que os EUA manterão o compromisso de apoiar a Geórgia e a segunda parte da ajuda, com o adicional de US$ 430. Ainda não está claro se o pacote precisará da aprovação do Congresso. "Com o nosso apoio total e o apoio de todo o mundo livre, uma Geórgia democrática sobreviverá, será reconstruída e florescerá", disse Rice aos repórteres, acrescentando que o pacote é apenas para finalidades civis. Cheney chegou ao Azerbaijão para a primeira das três escalas que fará na região das ex-repúblicas soviéticas. O vice-presidente deve visitar a Geórgia na quinta-feira, e em seguida a Ucrânia. A viagem tem significado relevante para o conflito no Cáucaso, que começou no dia 7 de agosto quando forças georgianas atacaram a Ossétia do Sul para tentar retomar o controle da província, ação respondida com a invasão russa em defesa dos separatistas. Apesar do cessar-fogo assinado entre os dois países, as forças russas ainda não deixaram partes do território georgiano nos arredores da Ossétia e na Abkházia, outra região com aspirações separatistas. Moscou ainda reconheceu na semana passada a declaração de independência das duas regiões, medida rechaçada pela comunidade internacional. FMI O Fundo Monetário Internacional (FMI) fechou um acordo preliminar para oferecer um apoio financeiro de US$ 750 milhões para a Geórgia. O acordo, que possui duração de 18 meses, precisa ser aprovado pelo conselho executivo do FMI. A votação deve ocorrer ainda em setembro, informou a instituição em um comunicado. A linha de crédito "tem como objetivo amparar as políticas econômicas das autoridades georgianas e minimizar as conseqüências adversas do recente conflito sobre a economia e as finanças", acrescentou o FMI, referindo-se à invasão russa no país, ocorrida em agosto. O crédito ajudará a cobrir o déficit nas contas externas e a elevar a confiança do mercado e dos investidores na economia do país.

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