Rival nórdica de Sarkozy responde a críticas a seu sotaque

A ambientalista nascida na Noruega Eva Joly, que concorre à presidência da França pelo Partido Verde, virou o jogo nesta sexta-feira contra as pessoas que ridicularizam seu sotaque, com um vídeo no qual ela fala sobre a riqueza e a diversidade no mundo francófono.

REUTERS

09 de dezembro de 2011 | 15h19

A franco-norueguesa Joly é um exemplo de história de sucesso de uma imigrante: chegou à França com 20 anos para trabalhar como au pair, trabalhou à noite como advogada, abrindo caminho pela hierarquia do sistema jurídico até obter uma posição de destaque nacional como investigadora anticorrupção.

Seu comportamento duro de nórdica lhe foi útil nos anos 1990, quando investigou políticos, notoriamente convocando Dominique Strauss-Kahn - então ministro das Finanças - ao seu gabinete para questionamentos.

Desde que se tornou candidata presidencial, entretanto, a ascendência estrangeira se tornou uma desvantagem. Os opositores políticos e comentadores têm batido em seu francês entrecortado, que gramaticalmente é impecável, mas expõe uma diferença nos sons de "v" e de "d" de sua língua nativa.

O fundador do partido de extrema-direita Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, zombou do sotaque dela em um vídeo postado em seu site. O estilista Karl Lagerfeld - que fala francês com um forte sotaque alemão - disse que a forma como ela fala é "um insulto à língua francesa".

Um artigo satírico da revista de direita Le Point, escrito como uma versão fonética de um discurso de Joly, imagina a candidata fazendo seu discurso de aceitação como presidente - depois da morte de todos os outros candidatos.

Até mesmo o premiê da França, François Fillon, deu um golpe em Joly ao dizer que ela não viveu na França o bastante para entender a cultura do país, depois que ela recomendou fazer outra coisa com a tradicional parada militar de 14 de julho.

Nesta sexta-feira, Joly contra-atacou com um vídeo no site do jornal semanal Journal du Dimanche, que teve 23 mil seguidores em suas primeiras horas.

"Vim para a França com 20 anos porque este país era um sonho para mim", disse a ex-candidata a Miss Noruega no vídeo, sentada atrás de uma mesa e usando óculos vermelhos, sua marca registrada. "Eu moro aqui há 50 anos."

"Meu sotaque é a prova do brilho da linha francesa e de seu apelo mundial."

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