'Ruby', do caso Berlusconi, reaparece no México

Uma testemunha-chave num escândalo sexual envolvendo o ex-premiê italiano Silvio Berlusconi reapareceu no México, depois de faltar ao seu depoimento judicial nesta semana, e só deve estar novamente disponível em janeiro, segundo sua advogada.

Reuters

11 de dezembro de 2012 | 20h28

A dançarina de boate Karima El Mahroug, mais conhecida pelo nome artístico de "Ruby, a Ladra de Corações", deveria ter prestado depoimento na segunda-feira em Milão, num processo no qual Berlusconi é acusado de pagar por sexo quando ela ainda era menor de idade.

O tribunal ordenou que a polícia procurasse El Mahroug após sua surpreendente ausência no depoimento. O sumiço dela, poucos dias depois de Berlusconi anunciar sua intenção de disputar novamente o cargo de premiê, lembrou aos italianos dos escândalos sexuais que marcaram o governo dele.

A advogada da dançarina, Paola Boccardi, que disse ao tribunal desconhecer o paradeiro da sua cliente, revelou na terça-feira à Reuters que El Mahroug entrou em contato dizendo estar no México com seu namorado e um bebê, e que voltaria no mês que vem.

Boccardi disse que El Mahroug "lamenta" os transtornos causados por sua ausência, mas que não conseguirá voltar antes de 17 de dezembro, quando foi marcada a próxima audiência.

A promotora Ilda Boccassini disse ao tribunal que a ausência de El Mahroug foi uma tática protelatória deliberada dos advogados de Berlucosni para evitar que o veredicto saia antes da próxima eleição geral, que provavelmente será realizada em fevereiro.

O bilionário Berlusconi, de 76 anos, retirou na semana passada o apoio do seu partido ao governo tecnocrata de Mario Monti, que decidiu então abreviar seu mandato. Berlusconi anunciou depois disso que tentará comandar pela quinta vez o governo italiano.

Berlusconi é acusado de pagar para fazer sexo com El Mahroug durante festas ocorridas nas suas suntuosas mansões. Na época dos fatos, ela seria menor de 18 anos, idade mínima para o exercício da prostituição na Itália.

O julgamento, no qual dezenas de aspirantes a vedetes descreveram as festas apelidadas de "Bunga Bunga", é o mais sensacional de todos os processos judiciais que envolvem Berlusconi. O caso recebe grande atenção midiática dentro e fora da Itália.

Berlusconi rejeita todas as acusações, e El Mahroug, hoje com 20 anos, diz que nunca fez sexo com ele.

O líder centro-direitista também é acusado de cometer abuso de poder ao tentar, como primeiro-ministro, libertar El Mahroug da custódia policial depois de ela ser detida por suspeita de furto.

Um assessor disse no julgamento que Berlusconi pensou erroneamente que El Mahroug fosse neta de Hosni Mubarak, e acreditava estar fazendo um favor ao então ditador egípcio.

(Reportagem de Sara Rossi)

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