Sukree Sukplang/REUTERS
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Rússia acusa EUA de coagirem 'Mercador da Morte' a confessar

Diplomata diz que americanos teriam oferecido 'vantagens' em troca de confissão de tráfico

REUTERS

18 de novembro de 2010 | 09h38

MOSCOU - Um diplomata russo disse nesta quinta-feira, 18, que as autoridades dos EUA pressionaram o suposto traficante de armas Viktor Bout a confessar crimes, oferecendo-lhe em troca benefícios não-especificados. A coação teria ocorrido a bordo do voo em que o suspeito foi extraditado da Tailândia para os EUA.

Bout, de 43 anos, ex-oficial da Força Aérea soviética, pode ser condenado à prisão perpétua pelas acusações de terrorismo e tráfico de armas. Em declarações à TV estatal de seu país, o cônsul da Rússia em Nova York, Andrei Yushmanov, disse que Bout recusou o acordo que lhe foi oferecido.

O russo foi preso em 2008 num hotel de Bangcoc, num flagrante preparado por autoridades que se fizeram passar por representantes da guerrilha colombiana Farc. O governo da Tailândia autorizou a extradição dele na terça-feira, apesar dos alertas de Moscou de que isso prejudicaria as relações entre Rússia e EUA.

"Alguma pressão foi aplicada sobre ele, quando estavam em trânsito. Nas palavras de Viktor Bout, eles tentaram 'persuadi-lo' a admitir coisas que ele não fez, prometendo em troca certas vantagens", disse Yushmanov a jornalistas russos. "Viktor rejeitou esses esforços", acrescentou o diplomata, sem entrar em detalhes. Não ficou claro se o que estava em discussão era um acordo judicial para que ele confessasse os crimes.

Bout é acusado de ter fornecido armas a ditadores e zonas de conflito da África, América do Sul e Oriente Médio a partir de meados da década de 1990. Ele afirma ser um empresário inocente, vítima de uma "fantasia americana". O caso de Bout inspirou o personagem de Nicholas Cage no filme "O Senhor das Armas."

A Rússia diz que a extradição de Bout foi ilegal, e que a Tailândia preferiu ceder à pressão americana. O russo - conhecido no Ocidente como "Mercador da Morte" - havia passado vários anos vivendo em Moscou antes de ser preso em Bangcoc. Aparentemente ele nunca foi incomodado pelas autoridades russas, o que irritava Washington.

Um juiz dos EUA decidiu na quarta-feira que Bout deve permanecer preso sem direito a fiança. Uma nova audiência foi marcada para 10 de janeiro. Um defensor público federal foi designado para o caso, mas Yushmanov afirmou que a Rússia o ajudará a contratar um advogado "se for necessário".

O cônsul se queixou também de que as autoridades tailandesas teriam confiscado dinheiro, roupas e objetos pessoais de Bout, dando-lhe roupas "sujas" para vestir.

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