Rússia acusa o Ocidente de provocação na Geórgia

País tem acusado navios americanos de rearmar o exército derrotado de Tbilisi

REUTERS

06 de setembro de 2008 | 13h42

O presidente russo Dmitry Medvedev acusou o Ocidente neste sábado,6, de provocar Moscou ao usar navios de guerra para entregar ajuda humanitária à Geórgia, país com o qual a Rússia travou uma rápida guerra no mês passado, durante reunião do Conselho de Estado para discutir a situação no Cáucaso e suas conseqüências.  Veja também:EUA anunciam pacote de US$ 1 bi à GeórgiaEntenda o conflito separatista na Geórgia "Eu me pergunto como eles se sentiriam se despachássemos ajuda humanitária ao Caribe, que sofre com um furacão, usando nossa marinha", disse Medvedev, acrescentando que toda uma frota americana havia sido enviada para entregar a ajuda. Os Estados Unidos têm utilizado navios de guerra para encaminhar suprimentos à Geórgia após a curta mas intensa guerra com a Rússia no início de agosto, em parte para enviar um sinal para Moscou. Seu maior navio até agora chegou na sexta-feira, 5, quando o USS Mount Whitney ancorou próximo ao porto georgiano de Poti, patrulhado pela Rússia. A Otan rejeitou insinuações sobre o aumento de sua frota no Mar Negro, dizendo que sua presença recente na região foi parte de exercícios de rotina. A Rússia tem acusado navios americanos de rearmar o exército derrotado de Tbilisi, uma acusação que Washington desdenhou como "ridícula". O presidente russo disse ter reunido o seu Conselho de Estado, que reúne os líderes regionais e outras autoridades do país, para discutir mudanças na política externa e de segurança da Rússia depois do conflito na Geórgia.  "É preciso tirar conclusões sobre a estratégia de política externa e o trabalho conjunto para o fortalecimento da segurança nacional", disse."O conflito na Ossétia do Sul mostrou que a Rússia não irá permitir que ninguém atente contra as vidas e a dignidade de seus cidadãos, seus pacificadores", disse ele aos oficiais reunidos no palácio do Kremlin. "A Rússia é um Estado (cujos interesses) agora serão levados em consideração", acrescentou. Pronto para a lei internacional   Anteriormente Medvedev havia delineado cinco princípios para a política externa russa, incluindo uma disposição para se submeter à lei internacional e uma demanda por interesses especiais em áreas específicas ao redor do globo. Medvedev disse que a Rússia ficou decepcionada com a condenação concertada do ocidente de sua operação na Ossétia do Sul. "Não ouvimos palavras de apoio daqueles que, em situações parecidas, falaram longamente sobre liberdade de escolha, dignidade nacional e o direito de usar a força para punir um agressor." Medvedev não entrou em detalhes, mas obviamente se referia à invasão do Iraque sob liderança dos EUA e ao apoio ocidental à independência auto-proclamada de Kosovo, região separatista da Sérvia, às quais a Rússia se opôs frontalmente. A Rússia não irá voltar atrás sob a pressão internacional e não irá ceder no reconhecimento da Ossétia do Sul e da Abhkázia, acrescentou Medveded. "Estamos sob pressão política, mas isso não é novidade para nós", disse ele.

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