Rússia acusa Ocidente de chantagem na questão síria

A Rússia disse na segunda-feira que vai bloquear no Conselho de Segurança a prorrogação da missão de monitoramento da ONU na Síria, caso as potências ocidentais não parem de "chantagear" com ameaças de sanção a Damasco.

Reuters

16 de julho de 2012 | 19h47

O chanceler russo, Sergei Lavrov, adotou um tom duro antes de uma conversa de duas horas em Moscou com o mediador internacional Kofi Annan, ignorando a pressão internacional para que a Rússia e a China parem de dar amparo ao presidente da Síria, Bashar al Assad, que há 17 meses reprime com violência uma rebelião no país.

Diplomatas ocidentais vinham pressionando a Rússia a aceitar um plano de transição de governo na Síria que não inclua Assad.

"Para nosso grande pesar, estamos vendo elementos de chantagem", disse Lavrov em entrevista coletiva antes da reunião com Annan. "Essa é uma abordagem contraproducente e perigosa."

Segundo Lavrov, a Rússia não apoiará a proposta de resolução sobre os monitores que está sendo discutida no Conselho, porque ela inclui uma ameaça de impor sanções caso a Síria não respeite o plano de paz apresentado por Annan. A proposta de resolução de autoria russa não prevê essa ameaça.

Lavrov disse que um eventual acordo deve seguir os princípios delineados numa reunião em 30 de junho em Genebra entre Annan e os países com poder de veto no Conselho. A Rússia entende que o plano de paz não exclui especificamente Assad da transição.

"Se nossos parceiros decidirem bloquear nossa resolução a todo custo, então a missão da ONU não terá um mandato e precisará deixar a Síria. Isso seria uma pena", disse Lavrov, cujo país é um dos principais fornecedores de armas para a Síria.

(Por Gabriela Baczynska)

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