Rússia acusa UE de ignorar nazismo nos países bálticos

O presidente russo, Vladimir Putin,disse na quarta-feira que a União Européia está ignorandoincidentes de glorificação do nazismo ocorrido na Estônia e naLetônia, dois membros do bloco. Falando no Kremlin a membros do Congresso Judaico Europeu,Putin se disse chocado pela realização, em março, de um desfileanual da Waffen SS na Letônia. "Alguns fatos que encontramos em vários países da EuropaOriental provocaram surpresa e incompreensão escancaradas",disse Putin no pronunciamento, transmitido pela TV. "As atividades das autoridades letãs e estonianas sãoabertamente coniventes com a glorificação dos nazistas e deseus cúmplices. Mas esses fatos passam despercebidos pela UniãoEuropéia", acrescentou. Em 2006, o governo letão proibiu o desfile anual da Legiãode Voluntários Letões da Waffen SS, que lutou contra o ExércitoVermelho na época da Segunda Guerra Mundial. Apesar daproibição, grupos de ultradireita realizaram a manifestação. As relações da Rússia com a Estônia também entraram emcrise neste ano devido à retirada de um monumento estoniano aoExército Vermelho. O Kremlin mantém vários atritos desse tipocom os Estados bálticos por causa da Segunda Guerra. As forças soviéticas anexaram a Estônia, a Letônia e aLituânia durante a guerra, e os cidadãos dos Estados bálticoslutaram tanto ao lado da Alemanha nazista quanto ao lado dosrussos. A Rússia diz ter liberado esses três países da ocupaçãonazista, ao custo de 20 milhões de vidas. Moscou vê a vitóriacontra a Alemanha como um momento de definição na história, ese ressente das acusações de que teria ocupado os países daEuropa Oriental. Mas muitos na região associam a chegada do ExércitoVermelho ao início de quase cinco décadas de regime soviético,durante as quais as políticas eram ditadas por Moscou emilhares de pessoas foram presas e deportadas.

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