Rússia adverte Geórgia por 'provocação' com prisão de soldados

General faz ameaças de 'derramamento de sangue' após detenção de militares por porte de arma na Abkházia

Agência Estado e Associated Press,

19 de junho de 2008 | 13h51

O general russo Alexander Burutin advertiu nesta quinta-feira, 19, que os mantenedores de paz de seu país na região da Abkházia mudarão sua conduta caso continuem as "provocações" da Geórgia. O militar divulgou o comunicado após a breve detenção de quatro soldados russos perto da província separatista. O aviso reflete a tensão entre a Geórgia pró-Ocidente a Rússia, o gigante vizinho ao norte. Segundo autoridades georgianas, os quatro detidos portavam armas não autorizadas em na região da Abkházia. Eles foram liberados no dia seguinte, mas a Geórgia reteve os mísseis antitanques do quarteto. "As conseqüências podem ser graves, inclusive com derramamento de sangue", afirmou Burutin. "O lado georgiano terá toda a responsabilidade por isso." Burutin descreveu a detenção ocorrida na terça-feira como uma "investida no estilo de gangue". Ele advertiu ainda que os mantenedores de paz russos têm o direito de usar armas para se defender. De acordo com funcionários georgianos, os russos não estão autorizados a portar armas naquela área. Moscou discorda, alegando que os soldados levavam armamento padrão, para o qual não havia necessidade de autorização especial.  As relações entre a Rússia e a Geórgia pioraram desde o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, assumir o poder em 2004. Saakashvili quer estreitar a integração de seu país com o Ocidente e planeja aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A Rússia se opõe a isso, pois considera o país parte de sua esfera de influência. A Geórgia, por outro lado, acusa a vizinha de ter planos para anexar as regiões separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul. As duas províncias não estão sob controle do governo da Geórgia desde o fim das guerras separatistas na área, no meio da década de 1990. A Rússia não reconhece formalmente os governos das regiões separatistas, mas mantém contato estreito com essas administrações e garantiu passaportes para a maioria dos moradores dessas áreas. Moscou tem também tropas de mantenedores de paz nas duas regiões, e recentemente enviou mais homens para esse fim - Saakashvili denunciou a medida como uma "agressão".

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