Rússia afirma que autoridades sírias concordaram em conversar

A Síria concordou em participar de negociações mediadas pela Rússia para resolver a sua crise, informou o Ministério das Relações Exteriores russo nesta segunda-feira, convocando a oposição síria a se juntar ao diálogo.

ALEXEI ANISHCHUK, REUTERS

30 de janeiro de 2012 | 21h33

Porém, um membro sênior do conselho opositor da Síria afirmou que nenhum convite foi recebido do governo russo e que de qualquer maneira isso seria recusado.

A Rússia, membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas com direito a veto, ofereceu sediar as negociações na tentativa de encerrar o banho de sangue na Síria desde que os protestos contra o presidente Bashar al-Assad começaram há 10 meses.

"Recebemos uma resposta positiva das autoridades sírias para o nosso convite (de manter um diálogo em Moscou)", afirmou a chancelaria russa em comunicado na Internet.

"Esperamos... que a oposição síria concorde com isso nos próximos dias, colocando os interesses do povo sírio acima de todas as outras preocupações."

A oferta de Moscou pode ser uma tentativa de fortalecer os seus argumentos contra uma resolução elaborada pelo Ocidente no Conselho de Segurança que apoia o pedido da Liga Árabe para que Assad deixe o poder.

A Rússia tem dito que a renúncia de Assad não deve ser uma pré-condição para o processo de paz sírio. O país tem sido um dos poucos aliados de Assad e tem fornecido armas e munições ao governo sírio durante os protestos.

O vice-chanceler russo, Gennady Gatilov, reiterou que a Rússia não vai apoiar a resolução, que, para ele, é semelhante à iniciativa de paz francesa no Conselho de Segurança condenando Damasco e dando a entender que autoridades sírias poderiam enfrentar sanções da ONU, o que Moscou e Pequim vetaram no ano passado.

A Rússia enviou o seu próprio projeto de resolução em dezembro, mas diplomatas ocidentais disseram que não poderiam aceitar atribuir a culpa ao governo e à oposição pela violência, que já matou mais de 5 mil pessoas, segundo a ONU.

(Reportagem de Alexei Anishchuk)

Tudo o que sabemos sobre:
RUSSIASIRIADIALOGO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.