Rússia alerta EUA sobre sanções unilaterais ao Irã por programa nuclear

Chanceler russo diz que países não podem passar por cima do Conselho de Segurança da ONU

Reuters

13 Maio 2010 | 12h20

HRIES - O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, alertou os EUA e outros países ocidentais nesta quinta-feira, 13, sobre a imposição de sanções unilaterais ao Irã por conta do programa nuclear da República Islâmica, informou a agência de notícias Interfax.

 

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A União Europeia havia afirmado que pode impor sanções unilaterais caso uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas fracasse. O governo do presidente dos EUA, Barack Obama, tem feito campanha para que países ocidentais não façam negócios com o Irã, mas não impôs sanções.

Países que enfrentam sanções do Conselho de Segurança da ONU "não podem, sob nenhuma circunstância, serem alvos de sanções unilaterais impostas por um ou outro governo, passando por cima do Conselho de Segurança", disse Lavrov, segundo a Interfax. "A posição americana atualmente não apresenta compreensão desta absolutamente clara verdade", acrescentou.

A Rússia mantém negociações com os EUA e com outros países que integram o Conselho de Segurança sobre uma quarta rodada de sanções contra o Irã. Moscou indicou que apoiaria sanções, desde que elas não prejudiquem a população iraniana.

Washington não alertou publicamente sobre a possibilidade de sanções unilaterais, mas já deixou claro que quer medidas mais duras do que a Rússia, país que tem poder de veto no Conselho de Segurança.

Integrantes permanentes e com poder de veto do Conselho, Rússia e China são contra os planos dos EUA de impor sanções duras e amplas contra a República Islâmica devido à recusa iraniana em suspender as atividades de enriquecimento de urânio e abrir completamente seu programa nuclear para inspeções da ONU.

Visita de Lula

O alerta de Lavrov coincide com a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Rússia. O Brasil ocupa atualmente um assento rotativo no Conselho de Segurança e também se opõe à imposição de novas sanções ao Irã.

Lula deve se reunir com autoridades russas do primeiro escalão na sexta-feira para discutir maneiras de retomar um acordo de troca de combustível nuclear que visa minimizar os riscos de Teerã usar o enriquecimento de urânio para fins militares. Lula viaja para o Irã no domingo.

O Brasil defende uma solução negociada para o impasse envolvendo o programa nuclear iraniano, e tem buscado ampliar seu papel em temas globais sob o governo Lula. Críticos da posição do Brasil, que tem seu próprio programa nuclear para fins energéticos, afirmam que o Irã se aproveita desta intenção brasileira para ganhar tempo.

Lavrov disse que os EUA tendem a não enxergar a lei internacional como tendo precedência sobre as leis nacionais. "Estamos sendo confrontados por este problema agora durante as discussões sobre uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre o Irã", disse.

Apesar de suas críticas, Lavrov disse que as relações com os Estados Unidos mostraram sinais claros de melhora, especialmente com a assinatura de um tratado de desarmamento nuclear entre os dois países. Ele disse que o acordo será em breve submetido ao Parlamento russo para aprovação.

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