Rússia alerta países vizinhos sobre eventual ingresso na Otan

O novo presidente daRússia, Dmitry Medvedev, deixou claro na sexta-feira que seugoverno continuava totalmente contrário à possibilidade de aOrganização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) expandir-seainda mais e alertou países vizinhos sobre as gravesconsequências de uma eventual adesão a essa aliança. Medvedev vem adotando um estilo conciliador desde que tomouo lugar, no mês passado, do ex-espião da KGB Vladimir Putin. E,em um discurso proferido nesta semana em Berlim, o dirigenterusso sinalizou uma nova postura ao afirmar que a "Rússia haviasaído da geladeira". No entanto, em seu primeiro encontro como presidente comlíderes de ex-Repúblicas soviéticas, na sexta-feira, Medvedevdisse que qualquer mudança em termos de política externa não seestendia aos planos do Ocidente de convencer a Ucrânia e aGeórgia a ingressarem na Otan. Em negociações com o presidente georgiano, MikheilSaakashvili, no Palácio Constatino, uma construção da épocaczarista erguida perto de São Petersburgo, Medvedev disse que aentrada da Geórgia na aliança militar poderia levar a um grandederramamento de sangue nas regiões separatistas deste país,afirmou uma autoridade russa. O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, aorepassar a repórteres o conteúdo das negociações, disse que ogoverno de seu país desejava resolver os conflitos em torno daAbkházia e da Ossétia do Sul. "Nós declaramos que isso não poderia ser atingido se aGeórgia ingressasse artificialmente na Otan porque essa manobrasignificaria uma outra espiral de violência naquelas regiões",afirmou. "Se eles acham que isso (a adesão à Otan) serviria deinstrumento para resolver os conflitos na Abkházia e na Ossétiado Sul, estão iludidos. Se isso acontecesse, nos restariaapenas testemunhar mais um derramamento de sangue." Horas antes, na sexta-feira, em negociações com opresidente ucraniano, Viktor Yushchenko, Medvedev advertiu quea Ucrânia romperia o pacto de amizade existente entre os doispaíses caso ingressasse na Otan. "O tratado selado entre a Rússia e a Ucrânia contém aobrigação de que os dois lados não façam nada capaz de criarameaças ou riscos para a segurança um do outro", afirmouLavrov. "Nós acreditamos que a expansão da Otan, que poderiaincluir a Ucrânia, criaria um risco para a segurança daRússia." Se o governo russo desistir do tratado bilateral, algunsobservadores acreditam que isso abriria caminho para que aRússia contestasse a soberania da Ucrânia sobre a península daCriméia, uma região tracionalmente reivindicada pela Rússia eque abriga a frota russa do mar Negro.

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