Rússia anuncia nova expedição para ampliar presença no Ártico

Russos defendem que cadeia montanhosa no mar são parte de seu território; região é rica em combustíveis

REUTERS

08 de agosto de 2007 | 11h48

Exploradores russos anunciaram nesta quarta-feira, 8, a realização de uma nova expedição rumo ao Ártico no final do ano a fim de intensificar a presença da Rússia na região, depois de terem fincado uma bandeira do país no leito do mar no Pólo Norte.A Rússia fortaleceu sua posição em uma disputa com os Estados Unidos, Canadá e Noruega pelas riquezas minerais do Ártico quando, na semana passada, enviou um submersível ao fundo do mar para colocar ali uma bandeira do país.O governo russo pretende controlar uma grande porção do leito marinho do Pólo Norte porque, segundo afirma, a área seria uma extensão da placa continental da Rússia. Mas outras potências presentes no Ártico discordam."A Rússia intensificará sua presença no Ártico", afirmou o líder da expedição, Artur Chilingarov, um aventureiro polar de 67 anos de idade. As declarações dele foram divulgadas pela agência de notícias Itar-Tass.Vice-presidente do Parlamento e importante membro do maior partido governista, Chilingarov afirmou, sem divulgar maiores detalhes, que a nova missão ao Ártico acontecerá em novembro.Ao dar essas declarações, o expedicionário encontrava-se a bordo de um dos submersíveis usados para colocar a bandeira russa a uma profundidade de 4.261 metros, no leito do mar.O presidente da Rússia, Vladimir Putin, parabenizou os membros da expedição durante um encontro com Chilingarov realizado na terça-feira, mas adotou um tom cauteloso ao dizer que o governo russo precisa discutir suas pretensões com outros países e com organizações internacionais. Riquezas mineraisOs cinco países que possuem território dentro do Círculo Ártico (Canadá, Dinamarca, Noruega, Rússia e os EUA) criaram uma zona econômica de 320 quilômetros ao redor da porção norte de suas linhas costeiras.Se as calotas polares diminuírem em virtude do aquecimento global, a riqueza mineral presente no leito do mar do Ártico poderá ser explorada com maior facilidade, fato esse que alimentou os sonhos das potências mundiais sedentas por fontes de energia e os temores dos ambientalistas.Segundo geólogos russos, o leito do mar do Ártico contém, pelo menos, material equivalente a algo entre 9 e 10 bilhões de toneladas de combustível, ou a mesma quantidade de petróleo existente em todas as reservas russas. E a região contaria ainda com várias reservas de outros minerais.A Rússia baseia sua intenção de controlar uma fatia maior do leito do mar do Ártico na descoberta de geólogos russos que acreditam que a formação Lomonosov, uma cadeia montanhosa submersa de 1.800 quilômetros que se estende embaixo do círculo polar, é um prolongamento do território russo.Segundo Chilingarov, a nova expedição, que contará com um navio quebra-gelo movido a energia nuclear, explorará a área com a ajuda de um submersível movido por controle remoto.

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