Rússia avança e está a 45 quilômetros da capital da Geórgia

Forças russas fazem a maior incursão desde o início do conflito; EUA e França apostam em um cessar-fogo

Agências internacionais,

15 de agosto de 2008 | 20h18

Os militares russos avançaram nesta sexta-feira, 15, para uma vila a 45 quilômetros de Tbilisi, capital da Geórgia, na sua maior incursão desde o início do conflito, na semana passada. A agência Reuters informou que dez blindados passaram por uma estrada que vem de Gori, cidade ocupada pelos russos a 25 quilômetros da fronteira com a província separatista de Ossétia do Sul.  Veja também:Ação militar da Rússia é 'inaceitável', diz BushRússia irá assinar cessar-fogo, diz SarkozyRússia: escudo agrava relações com os EUA Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia Duas horas depois, outros dez veículos chegaram à vila de Igoeti. Ao todo, cerca de 200 soldados participaram da operação. Apesar da movimentação, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, declararam nesta sexta-feira, que o governo russo deve assinar um plano de cessar-fogo para o confronto, que foi aprovado mais cedo pela Geórgia. O governo georgiano disse que as forças russas invadiram duas outras cidades na região central (Khashari e Borjomi), o que não pôde ser verificado. O avanço de Moscou coincide com a visita de Rice a Tbilisi, que voltou a pedir a imediata retirada russa da Geórgia.  Moscou já havia aprovado um cessar-fogo na terça-feira, mas disse que continuaria ocupando instalações militares e paióis de munição abandonados.  Um comandante russo que chegou a Igoeti afirmou que a mobilização de tropas não seria agressiva. Questionado por jornalistas sobre a razão dessa ocupação, o general Vyacheslav Borisov disse que a operação seria "para criar a paz, aumentar a separação entre as forças e interromper a guerra entre civis georgianos e ossétios." Por sua vez, presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, declarou que a presença russa em seu país causa "grande preocupação". "Temos uma crescente área de ocupação russa em nosso território", disse ele a jornalistas.  A polícia e os militares georgianos presentes na estrada próxima a Igoeti não demonstraram reação ao avanço russo, do qual inicialmente participaram também três helicópteros em vôos rasantes.  O atual conflito no Cáucaso começou na última sexta-feira, depois que a Geórgia enviou tropas para tentar retomar o controle da Ossétia do Sul, que desde a década de 1990 declarou sua independência e esteve estritamente ligada ao governo de Moscou. A Rússia reagiu enviando tropas para a província, que depois avançaram para o território georgiano. Na quinta-feira, soldados russos eram vistos na cidade de Gori, no porto de Poti e em Zugdidi, localidade vizinha à Abkházia, outra república separatista da Geórgia que tem apoio militar da Rússia.  Apoiada pelo Ocidente, a Geórgia pede à Rússia que desocupe Gori e acusa milícias irregulares do país vizinho de terem também cruzado a fronteira para cometer saques e incêndios em aldeias georgianas.  Trégua O líder da Geórgia assinou nesta sexta-feira um acordo de cessar-fogo com a Rússia, trazido por Rice. Ao lado de Saakashvili, a secretária de Estado dos EUA afirmou que recebeu garantias de que o presidente russo Dimitri Medvedev assinará um documento semelhante, o que também foi reforçado mais tarde pelo presidente francês. "Medveded confirmou que também assinará o acordo e que a Rússia irá respeitar seus termos, principalmente aqueles sobre a retirada das forças russas", informou o comunicado do gabinete de Sarkozy. Críticas O presidente americano, George W. Bush, afirmou que a ação militar russa é "completamente inaceitável", e que Moscou precisa colocar um fim na crise.  "O mundo tem assistido com temor a Rússia invadindo um Estado vizinho soberano e ameaçando um governo democrático eleito pelo povo", disse o líder americano, em seu discurso de rádio semanal de sábado, que foi divulgado nesta sexta. "Este ato é completamente inaceitável para a liberdade das nações do mundo", completou.  Em Tbilisi, Rice criticou o líder russo por não honrar suas promessas de parar as operações militares no Cáucaso. "A garantia verbal que o presidente Medvedev deu, de que os militares russos haviam parado, claramente não foi honrada", declarou. Além da crescente pressão de Washington, Medvedev ainda enfrentou nesta sexta-feira as críticas da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, durante uma reunião dos dois líderes no balneário russo de Sochi, no Mar Negro.  Enquanto Medvedev reafirmava o apoio russo à Abkházia e Ossétia do Sul, Merkel criticou a Rússia pelo uso "desproporcional" da força. Ela disse que a integridade territorial da Geórgia precisa ser um "ponto básico" em qualquer plano para restaurar a paz na região.

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