Rússia celebra boas relações com Chávez

O presidente daRússia, Dmitry Medvedev, celebrou na terça-feira oestreitamento das relações com o presidente da Venezuela, HugoChávez, e assinou uma série de contratos comerciais queaproximarão ainda mais esses dois importantes produtores depetróleo e adversários dos Estados Unidos. Ao desembarcar em Moscou, Chávez prometeu realizar novasaquisições de armamentos para "garantir a soberania daVenezuela, que vem sendo ameaçada pelos EUA". Ele, porém, nãoforneceu maiores detalhes. Medvedev e Chávez assinaram quatro acordos envolvendopetrolíferas russas e a estatal venezuelana PDVSA. Os contratospermitem que a Rússia construa novos depósitos no paíssul-americano e abre caminho para a realização de grandesprojetos de infra-estrutura e engenharia. Os valores envolvidosno negócio não foram divulgados. Chamando atenção para a importância com que o governo russoencara suas relações com esse parceiro anti-EUA, Medvedev disseque ele e Chávez supervisionariam pessoalmente váriosprojetos-chave. A Rússia, segundo maior exportador de petróleo do mundo, ea Venezuela, membro da Opep (Organização dos PaísesExportadores de Petróleo), também acertaram cooperar nosmercados globais de combustível sem prejudicar os interessesdos consumidores, acrescentou Medvedev. "A Rússia e a Venezuela são duas importantes potênciaspetrolíferas e do gás natural. E garantir a distribuiçãomundial de combustíveis depende de nossas ações casadas",afirmou Medvedev depois de receber Chávez em uma residênciaoficial localizada nas cercanias de Moscou. O líder russo também disse que a idéia de criar um grupopara os exportadores de gás natural semelhante à Opep não haviasido totalmente abandonada. O projeto havia, anteriormente,criado nervosismo dentro da Europa e tinha sido criticado pelosEUA, que também disseram que isso poderia levar a esquemas demanipulação de preço. "Vamos adotar ações coordenadas e acertadas mutuamente. Anossa cooperação não tem por alvo outros países", afirmouMedvedev. O RUBLO DIANTE DO DÓLAR Um Chávez visivelmente empolgado e sorridente, depois deapertar as mãos do presidente russo, repetiu a idéia desteúltimo sobre transformar o rublo em uma grande moeda de reservacapaz de fazer frente ao dólar. "O rublo precisa se transformar em uma moeda mundial",disse Chávez. "Nós, da Opep, propusemos colocar fim ao dólar." Em um ataque velado aos EUA, que consideram a AméricaLatina sua zona de influência, Medvedev deu indícios daimportância atribuída pela Rússia às relações com o maioradversário do governo norte-americano na região. "A Venezuela é hoje a mais importante parceira da FederaçãoRussa", disse Medvedev. "Nossas relações são um fatorfundamental para a segurança regional." "Nós temos uma tarefa em comum -- fazer com que o mundocircundante torne-se mais democrático, mais justo e maisseguro", acrescentou. Horas depois, Chávez deu provas de sua relação cordial comoutros líderes russos. Ao encontrar-se com o primeiro-ministrodo país, Vladimir Putin, deu-lhe um forte abraço e transformouem piada o fato de ter chegado tarde à casa dele. "Isso porém não foi culpa minha. Ele (Medvedev) fala maisdo que eu", brincou o líder venezuelano, conhecido por seuslongos e acalorados discursos. "Eu não me lembrava daquilo. Mas aconteceu que ele(Medvedev) estava em Nova York durante nosso primeiro encontrona ONU (Organização das Nações Unidas). Ele me lembrou sobreaquilo", disse Chávez a Putin, convidando-o a visitar aVenezuela. Putin deixou o cargo de presidente da Rússia em maio apósficar oito anos no comando do país. Medvedev elegeu-se comfacilidade depois de o hoje premiê ter pedido aos eleitores queo apoiassem. (Reportagem adicional de Denis Dyomkin)

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