Rússia confirma contrato para venda de mísseis ao Irã

Oficial afirma que documento foi assinado há dois anos, mas que armamento ainda nao foi entregue

Agência Estado e Associated Press,

18 de março de 2009 | 09h49

Um oficial do alto escalão do Ministério da Defesa da Rússia confirmou nesta quarta-feira, 18, que Moscou assinou um contrato para vender mísseis de defesa aérea S-300 ao Irã, informaram agências de notícias locais. A fonte porém negou que os armamentos já tenham sido entregues.

 

Funcionários do governo russo têm negado veementemente rumores de que parte dos poderosos mísseis já teria sido repassada a Teerã, mas esta é a primeira vez que fica esclarecida a existência de um contrato bilateral. A agências russas de notícias Itar-Tass, RIA-Novosti e Interfax citaram uma fonte no Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar dizendo que o contrato foi assinado há dois anos.

 

Andrei Tarabrin, porta-voz do serviço, disse à Associated Press que esperaria para comentar o assunto. Analistas consideram que a venda dos mísseis S-300 mudaria consideravelmente o equilíbrio militar no Oriente Médio. Israel e os Estados Unidos temem que, caso o Irã possua os mísseis S-300, poderia usá-los para proteger suas instalações nucleares, incluindo a planta de enriquecimento de urânio de Natanz e a primeira planta de energia atômica do país, projeto em andamento, tocado por construtores russas em Bushehr.

 

As declarações podem indicar que Moscou pretende usar o contrato como instrumento de barganha com os EUA, quando o presidente Dmitry Medvedev e seu colega Barack Obama se encontrarem, no mês que vem. O funcionário, porém, disse à Itar-Tass que o país não pretende desistir do contrato, estimado em centenas de milhões de dólares.

 

Um importante analista russo, Ruslan Pukhov, do Centro de Análises de Estratégias e Tecnologias, disse que o contrato era visto no Kremlin mais como um tema político que comercial. "O contrato dos S-300, e a cooperação com o Irã em geral é vista por Moscou apenas como um instrumento de barganha política com o Ocidente e não como uma forma de atingir os interesses fundamentais de defesa e comerciais da Rússia", afirmou Pukhov, segundo a RIA-Novosti.

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