Rússia considera retaliar plano de escudo antimísseis dos EUA

Presidente russo diz que Moscou não está 'histérica' com a proposta, mas avalia resposta ao projeto americano

Efe e Reuters,

09 de julho de 2008 | 08h13

O presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou nesta quarta-feira, 9, ao final da cúpula do G8 (os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) que Moscou pretende considerar como retaliar o plano americano de instalar um sistema de defesa antimísseis no Leste Europeu. Medvedev, porém, ressaltou que pretende continuar negociando com Washington.   Medvedev disse que o acordo nesta terça-feira entre EUA e República Tcheca para instalar neste país um radar que faz parte do sistema Nacional de Defesa contra Mísseis foi adotado sem consultar a Rússia. De acordo com o líder russo, o acordo não pode "deixar indiferente" a Rússia, já que o pacto implica em "uma nova etapa" do escudo antimísseis que Washington deseja instalar no Leste Europeu.   O presidente russo disse que há "outras maneiras" de garantir a segurança européia afirmou que está "preocupado" e "decepcionado", e que tomará "certas medidas", mas "sem histerias". As autoridades russas já haviam protestado na terça-feira contra a assinatura deste pacto, mas os EUA reagiram afirmando que Moscou só estava tentando atemorizar os aliados europeus, nas palavras do secretário de imprensa americano, Geoff Morrell.   O Departamento de Defesa dos EUA afirma que o sistema de segurança - que também será instalado na Polônia - foi desenvolvido para conter ameaças vindas do Oriente Médio, e não da Rússia. Os americanos acreditam que o Irã pode desenvolver, até 2015, um míssil de longo alcance que poderia atingir a Europa.   Ao assinar o acordo, a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, disse que "os americanos e seus aliados enfrentam uma crescente ameaça do Irã, que pode se aprofundar ainda mais, pois o apetite dos iranianos por tecnologia nuclear ainda é desconhecido."   O sistema antimíssil, avaliado em US$ 3,5 milhões, terá sensores e radares para detectar mísseis inimigos durante vôo e poderá disparar um interceptador para destruí-los.   A instalação do escudo vem provocando polêmica mesmo na República Checa. Desde a invasão soviética em 1968, muitos checos desconfiam de qualquer presença militar estrangeira no país. Uma pesquisa de opinião realizada no mês passado mostrou que 68% da população é contra o sistema americano.   "Acreditamos que isso pode provocar outra corrida armamentista", disse à agência Reuters Frantisek Smrcka, que participava de um protesto contra o escudo no centro de Praga. O governo precisa do voto da oposição - que já se mostrou contra o sistema - para que o acordo com os EUA seja colocado em prática.

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