Rússia critica intromissão dos EUA no conflito na Geórgia

Vladimir Putin diz que americanos prejudicam operações russas ao transportar soldados georgianos do Iraque

Agências internacionais,

11 de agosto de 2008 | 08h41

O primeiro-ministro e ex-presidente russo, Vladimir Putin, criticou nesta segunda-feira, 11, os Estados Unidos por repatriar militares georgianos que integravam as tropas de coalizão no Iraque até as zonas de conflito na Geórgia. O premiê afirmou que o governo americano está perturbando as operações militares russas e reiterou que a missão de paz na província separatista da ex-república soviética terá uma conclusão lógica.   Geórgia assina proposta de cessar-fogo 'Grande parte da operação de paz está concluída', diz Rússia Entenda o conflito separatista na Geórgia Professor comenta a situação no Cáucaso  Galeria de fotos do conflito    Em declarações transmitidas na televisão, Putin disse que o Ocidente se equivocou sobre os reais agressores contra as vítimas da Ossétia do Sul. "É uma lástima que alguns de nossos aliados não nos ajudem e tratem inclusive de nos prejudicar, incluindo todo deslocamento do contingente militar da Geórgia no Iraque para a zona de conflito auxiliado pelos EUA e seus aviões de transporte".   O comandante adjunto do Estado-Maior Geral da Rússia, general Anatoli Nogovitsin, afirmou que a Geórgia, com ajuda dos Estados Unidos, repatriou 800 soldados que estavam no Iraque. Ele acrescentou que aviões de transporte militar dos Estados Unidos efetuaram oito vôos para completar a mudança dessas tropas georgianas. A Geórgia tinha desdobrado um contingente militar de 2 mil homens no marco da coalizão internacional que atua no Iraque.   Putin comparou de fato os atuais dirigentes da Geórgia ao ex-ditador iraquiano Saddam Hussein. "Saddam Hussein, que aniquilou várias aldeias xiitas, foi enforcado, e os atuais dirigentes georgianos, que destruíram dez aldeias da Ossétia do Sul, que com tanques mataram crianças e idosos, que queimaram vivos civis, a esta gente, claro, é preciso defendê-la", disse, ironicamente, o primeiro-ministro.   Ataques russos   Segundo a Geórgia, A Rússia ignorou os apelos por um cessar-fogo e as advertências diplomáticas dos Estados Unidos e intensificou nesta segunda-feira os ataques à Geórgia, informou o governo instalado em Tbilisi. Depois de ter tomado o controle da região separatista georgiana pró-Moscou da Ossétia do Sul, aviões de guerra russos voltaram a bombardear a Geórgia nesta segunda-feira, informou Tbilisi.   "Mais de 50 aviões russos estão voando sobre a Geórgia. Tbilisi foi bombardeada. As bombas atingiram o povoado de Kojori e a montanha de Makhata", informou o Ministério das Relações Exteriores da Geórgia. Já o Ministério de Interior informou que os aviões russos bombardearam radares no aeroporto de Tbilisi e atingiram alvos civis na cidade de Gori, perto da fronteira com a Ossétia do Sul   O Exército da Rússia negou ainda as acusações de que o país usou 50 aviões para bombardear o território georgiano na madrugada. "Cinqüenta? É isso que eles disseram? Como é que eles os contam à noite?", disse Nogovitsyn aos repórteres. "Não fazemos isso. O que faríamos com 50 aviões à noite? Não confirmo isso de maneira nenhuma". O ministro das Relações Exteriores da Geórgia disse que os civis e as instalações de comunicações têm sido o alvo dos ataques russos.   Os aviões russos já haviam bombardeado uma base de forças especiais e um centro de controle de tráfego aéreo na periferia da capital georgiana, prosseguiu o porta-voz. Era possível ouvir as explosões do centro da cidade. Três soldados russos foram mortos e 18 ficaram feridos por forças georgianas na Ossétia do Sul, apesar de a Geórgia alegar ter retirado suas tropas, informou a agência de notícias Interfax citando uma fonte ossetiana.   Com a Rússia informando que mais de 2 mil pessoas já morreram no conflito, a Europa lidera os esforços diplomáticos para pôr fim às hostilidades por intermédio dos chanceleres da França, Bernard Kouchner, e da Finlândia, Alexander Stubb. Os emissários europeus estiveram em Tbilisi para negociar com o governo da Geórgia. Na terça, eles deverão se encontrar com o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, em Moscou. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, também deverá ir a Moscou. A França ocupa atualmente a Presidência de turno da União Européia (UE).   Em Pequim, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse ao primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, que a ofensiva de Moscou é "inaceitável". Os EUA são os principais aliados da Geórgia no Ocidente.   A Rússia, que já posicionou navios de guerra no Mar Negro, prepara-se para enviar mais 9 mil soldados para reforçar suas posições na Abkházia, outra região separatista georgiana pró-Moscou, disse um oficial do Exército russo citado pela Interfax. Moscou também está enviando mais 350 veículos blindados para reforçar o contingente que oficialmente atua como força de paz no território separatista, disse Alexander Novitsky, porta-voz do governo russo.   A Rússia manteve a ofensiva sobre a Geórgia apesar de ter contido a ação militar de Tbilisi contra a Ossétia do Sul, iniciada no fim da semana passada. "A Geórgia manifesta sua prontidão para começar a negociar imediatamente um cessar-fogo e o fim das hostilidades com a Federação Russa", dizia um comunicado do governo georgiano divulgado no domingo. No entanto, o governo russo informou que o comandantes das forças de paz russas na Ossétia do Sul reportou que os soldados do país voltaram a ser atacados por forças georgianas nesta segunda-feira.

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