Rússia deixa cidade na Geórgia após violar cessar-fogo

Primeiro avião com ajuda humanitária dos Estados Unidos chegou à ex-república soviética

AP

14 de agosto de 2008 | 05h37

Tropas russas começaram a deixar nesta quinta-feira a cidade estratégica de Gori, no centro da Geórgia, anunciou o ministério do Interior da ex-república soviética, invadida pelo Exército de Moscou na última sexta-feira. A presença de militares russos na cidade tinha elevado temores de que a Rússia poderia não respeitar o cessar-fogo negociado na terça pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. Veja também: Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia  Ainda de acordo com o ministério, tropas russas deixaram também o porto de Poti, no Mar Negro, por onde escoa a produção de petróleo e gás do Mar Cáspio para a Europa. Tropas russas desrespeitaram um acordo de trégua na quarta-feira, quando soldados do país desmontaram e destruíram equipamentos militares encontrados em uma base perto de Gori. Um comunicado divulgado pelas Forças Armadas russas diz que a medida foi tomada para desmilitarizar a região.Um comboio de cerca de 60 veículos militares russos foi visto também nesta quarta-feira numa estrada ao sul de Gori que leva à capital georgiana, Tbilisi - mas Moscou negou a alegação de que suas forças estivessem avançando rumo à capital. Testemunhas que abandonaram Gori disseram que a cidade tem sido palco de saques e ataques a tiros supostamente realizados por separatistas ossetianos. Policiais georgianos foram deslocados para os arredores da cidade para evitar estas ações. Gori foi bombardeada esporadicamente pela força aérea russa antes do cessar-fogo. A principal estrada da Geórgia, que corta o país de leste a oeste, passa pela cidade. Ajuda humanitária O exército dos Estados Unidos começou a enviar ajuda humanitária para a Geórgia na madrugada de hoje. Um avião militar C-7 chegou a Tbilisi com cobertores, mantimentos e remédios. Uma segunda carga é esperada para esta quinta-feira.O presidente dos EUA, George W. Bush, disse esperar que a Rússia permita a entrada de ajuda na Geórgia e pediu que as linhas de comunicação e transportes do país não sejam cortadas. Pressão diplomática A secretária de Estado, Condoleezza Rice, está a caminho da ex-república soviética e deve discutir o conflito no Cáucaso com Sarkozy. O presidente americano, George W. Bush, exigiu que Moscou coloque um ponto final na crise. "Os EUA apóiam o governo democrático da Geórgia. Insistimos que a integridade territorial e a soberania do país devem ser respeitados", disse Bush em entrevista na Casa Branca.   O conflito entre Rússia e Geórgia começou há uma semana, quando tropas russas invadiram a ex-república soviética em defesa da província separatista da Ossétia do Sul. Um acordo de paz foi costurado na quarta-feira por Sarkozy, mas ontem a Geórgia acusou a Rússia de violar a trégua. A Rússia diz que 1,6 mil civis foram mortos na Ossétia do Sul durante o ataque georgiano e que 74 soldados foram mortos, mas não há fontes independentes que confirmem este número. Segundo o governo de Tbilisi, há 175 vítimas civis, sem contar os mortos na província rebelde.

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